As três administrações do Instituto Português de Oncologia estão, em conjunto, a recusar a medicamentos inovadores, como a abiraterona, para o tratamento do cancro, denuncia o Diário de Notícias.



Segundo o jornal, os casos de concertação entre os três IPO, que vetaram vários medicamentos, já chegaram à Ordem dos Médicos. Em causa, estão as dúvidas sobre a eficácia dos tratamentos e a existência de novas regras que limitam o uso de autorizações de utilização especial (AUE) e que já estão a dificultar o tratamento de doentes.

O bastonário da Ordem dos Médicos já considerou que se trata de um escândalo. «Por um lado, não saem medicamentos, por outro proíbe-se as AUE e criminaliza-se quem as autorizar. É um escândalo». Fonte do ministério explicou, segundo o DN, que «as decisões clínicas e de utilização de medicamentos são da exclusiva competência das comissões de farmácia e terapêutica das administrações hospitalares».

O presidente do conselho de administração do IPO de Coimbra, Manuel António Silva admite que «a decisão já abrange outros fármacos. Neste caso, é difícil mas a eficácia do medicamento deixa dúvidas, não há grande relação custo-benefício e as novas regras impendem a compra fora do formulário. Além disso, o custo é insuportável. Não conseguimos aguentar o tratamento a todos os doentes do país. Por isso, a uma decisão conjunta e temos outros medicamentos».

A presidente da Associação dos Administradores Hospitalares já reagiu e lamentou a contestação à alegada recusa aos doentes de medicamentos, considerando que a decisão não teve por base apenas a questão economicista.

A Ordem dos Médicos terá pedido explicações ao Ministério da Saúde sobre a alegada recusa dos três Institutos Portugueses de Oncologia (IPO) - Lisboa, Porto e Coimbra - em fornecer medicamentos inovadores a doentes com cancro.

Em declarações à agência Lusa, a presidente da Associação dos Administradores Hospitalares, Marta Temido, disse acreditar que na origem da recusa não estará só o valor do medicamento, apesar de não conhecer os casos em concreto.

«Diria - com grande probabilidade de não errar - que não é uma questão de valor do fármaco que está em causa, é uma questão, quando muito, de relação entre o seu valor e a sua eficácia, que poderá não estar completamente demonstrada», disse.

No entender de Marta Temido, esta relação pode levar os hospitais a serem mais cautelosos.

«Os recursos não são ilimitados por muito que gostássemos que fossem [e isso] leva os hospitais a serem cautelosos naquilo que introduzem na sua prática clinica», sublinhou.

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