O consumo de antibióticos em Portugal decresceu nos primeiros quatro meses do ano, uma tendência que se verifica desde o ano passado, diz a Autoridade Nacional do Medicamento e Produtos de Saúde (Infarmed) numa informação divulgada esta sexta-feira.

De acordo com os dados do Infarmed, nos primeiros quatro meses foram dispensadas menos 4,8% de embalagens de antibióticos em ambulatório e nos hospitais o número de doses diminuiu 3,75%, comparando com igual período do ano passado.

Em números, foram dispensadas de janeiro a abril 2.847.560 embalagens, menos 143.663.

No caso das quinolonas, que são antibióticos que estão associados a um elevado número de resistências, os dados são ainda mais favoráveis, uma vez que houve uma redução de 17.569 embalagens no mesmo período, com um consumo de 282.742”, pode ler-se no documento.

Quanto os hospitais, e nos mesmos meses de referência, os carbapenemes (antibióticos para infeções de elevada gravidade) tiveram uma redução de consumo de 13,4%, para 108.267 doses.

A Comissão Europeia (CE) adotou no final do mês passado um plano para combater a resistência aos antibióticos, uma ‘ameaça’ que mata anualmente 25 mil pessoas na União Europeia (UE) e custa 1,5 mil milhões de euros.

Em paralelo ao plano, Bruxelas apresentou ainda regras para um “uso prudente de antibióticos”.

Por outro lado, a CE vai investir na inovação e investigação contra a resistência aos antibióticos.

Segundo dados de Bruxelas, em Portugal foram prescritos em 2014 cerca de 20 doses de antibióticos por mil habitantes por dia, sendo a média da UE de 25.

A Holanda (10,6 doses diárias por mil habitantes) é o país da UE com menos prescrições e a Grécia com mais (quase 45).

Poucos dias antes o Observatório Português dos Sistemas de Saúde tinha anunciado querer medidas concretas para reduzir o consumo de antibióticos, sugerindo que, nalguns casos, o médico só os possa prescrever após identificar a causa da infeção.