
A partir de terça-feira os medicamentos genéricos ficam cerca de 20 por cento mais baratos, uma descida de preço que ameaça asfixiar empresas e indústria de genéricos, segundo a associação representativa do setor.
No âmbito da revisão anual obrigatória do preço dos genéricos, que ocorre sempre no dia 1 de maio, os medicamentos sem marca feitos com a mesma substância ativa dos originais vão passar a ser comercializados a cerca de um terço do preço de 2008, uma descida que a Associação Portuguesa de Genéricos (APOGEN) considera «brutal».
«É uma descida administrativa, imposta pelo Estado, e anti-concorrencial. Não faz sentido vender medicamentos a metade do preço do medicamento original, porque na verdade é igual», afirmou o presidente da APOGEN à Lusa.
Na opinião de Paulo Lilaia, esta descida «esmaga» a indústria de genéricos, porque se muitas empresas «já estão perto do limite», agora veem em risco a sua sustentabilidade.
«O que vai acontecer provavelmente é que muitas empresas vão ter um custo de produção superior ao custo de venda. Assim torna-se inviável continuar a comercializar, o que obrigará as empresas a escoar o stock e a fechar», disse.
O responsável reconhece que os genéricos têm que ter preços acessíveis e gerar poupança para o Estado e para os consumidores.
Contudo, considera que a descida deve ser feita com critério e que o esforço deve ser distribuído entre os genéricos e os não genéricos, «que têm sempre descidas suaves de preços e ajustamentos mínimos».
Paulo Lilaia alerta que este «estrangulamento» das empresas de genéricos é um «problema tremendo» que vai acabar por «custar muito ao Estado e aos consumidores», porque se os genéricos saírem do mercado, as alternativas terapêuticas podem custar muito mais.
Até porque esta medida, vai reduzir o lançamento de novos genéricos no mercado, acrescentou.