Entre Janeiro e Junho deste ano, a indústria farmacêutica concedeu apoios e subsídios no valor de mais de 28,6 milhões de euros a profissionais e organizações de saúde. Mas os beneficiários apenas declararam 8,4 milhões de euros. Mais de 20 milhões de diferença, de acordo com um levantamento efetuado por uma empresa especializada no processamento de dados da Internet, citado pelo «Público».

De acordo com o jornal, a análise contempla dados disponibilizados na plataforma informática da Autoridade Nacional do Medicamento e Produtos da Saúde (Infarmed), criada para divulgar os apoios da indústria farmacêutica a profissionais e organizações do setor.

No início da semana, o sistema albergava quase 35 mil declarações de doações, mas apenas pouco mais de 5400 comunicações de recebimentos. A correspondência perfeita entre entidades e valores está também ausente da esmagadora maioria das declarações apresentadas.

A lei que obriga a declarar os apoios superiores a 25 euros concedidos pelos laboratórios farmacêuticos a todos os intervenientes no circuito do medicamento está em vigor desde fevereiro de 2013, mas parece estar a ser ignorada por uma parte substancial das entidades e profissionais de saúde.

Reagindo a esta notícia, o bastonário da Ordem dos Médicos, José Manuel Silva, defendeu, esta quarta-feira, que o Ministério da Saúde, «em vez de criticar», deveria substituir a indústria farmacêutica e apoiar a formação e a investigação científica dos clínicos. «No sentido de estimular a transparência e aumentar a separação entre clínica e indústria farmacêutica, o ministério deve substituir a indústria no apoio à formação contínua dos médicos, porque se não o fizer, corremos o risco de serem afetadas. Infelizmente, o ministério não assume as suas obrigações e é, por isso, que o apoio da indústria farmacêutica é insubstituível», argumentou, em declarações à Lusa.