Por: Redacção / MM | 20- 8- 2010 18: 59
A difícil situação financeira das farmácias deve-se a uma «política de restrição orçamental assente quase exclusivamente
no medicamento», que tem vindo a ser adoptada nos últimos anos, considera a Associação de Farmácias de Portugal (AFP). A associação
reagia à notícia da agência Lusa de que, no primeiro semestre deste ano, o número de farmácias com fornecimentos suspensos
aumentou 47 por cento.
Esta política «mostra que a poupança de 80 milhões de euros inscrita no Orçamento de Estado,
mesmo que venha a ser obtida, sê-lo-á sobretudo à custa do sector» e «representa uma pequeníssima fatia dos cerca de 1500
milhões de euros do ambulatório», afirma a AFP em comunicado.
Ainda de acordo com a AFP, o Governo tem vindo a usar
as farmácias para «financiar o Serviço Nacional de Saúde» e «persiste em ignorar a adopção de medidas que incidam na eficácia
e combate ao desperdício ao longo de todo o sector».
De acordo com a associação, a crise nas farmácias tem sido discreta,
«pelo facto de muitas mudanças de propriedade corresponderem a situações de falência efectiva», mas causa alguns problemas.
«A mudança de propriedade das farmácias está a deslocar a natureza desta actividade que tradicionalmente correspondia a um
comércio de proximidade operado por pessoas orientadas para o serviço aos utentes, para grupos que adquirirem farmácias numa
lógica de economia de escala», denuncia a nota de imprensa.
A Associação de Farmácias de Portugal comenta ainda uma
proposta avançada por outra associação do sector, a Associação Nacional de Farmácias (ANF), de remunerar o acto farmacêutico
em substituição da margem no medicamento. Para a AFP, esta possibilidade «deve ser ponderada com a máxima cautela», pois,
nas condições actuais, o Orçamento de Estado dificilmente «suportará este encargo adicional» e «não seria lícito onerar os
utentes».
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