O Tribunal de Portimão inicia esta terça-feira o julgamento de uma médica ginecologista acusada de homicídio por negligência, por alegadamente ter causado a morte a uma mulher na sequência de uma intervenção cirúrgica.

O caso remonta a abril de 2011, quando a vítima, uma mulher de 27 anos, enfermeira, aceitou a sugestão da médica de se submeter a uma cirurgia aos ovários para poder engravidar.

Vera Alves morreu no bloco operatório no Hospital Particular do Algarve, em Portimão, devido a uma hemorragia, supostamente causada por feridas resultantes do ato cirúrgico.

Acusada em janeiro de 2012 pelo Ministério Público (MP), a médica ginecologista requereu a abertura da instrução do processo, tendo o juiz decidido levar a cirurgiã a julgamento sob acusação do crime de homicídio por negligência.

De acordo com o despacho de pronúncia, a que a agência Lusa teve acesso, o juiz Pedro Frias concluiu que a morte de Vera Alves ocorreu por «negligência» da arguida durante a cirurgia, ao, alegadamente, não proceder com o cuidado a que, «segundo as circunstâncias, estava obrigada e era capaz».

Segundo a pronúncia, o procedimento da médica terá provocado uma «hemorragia intra-abdominal e laceração do fígado», que estiveram na origem da morte de Vera Alves.

Para o tribunal, a arguida sabia que devia efetuar as manobras cirúrgicas de forma a não atingir qualquer veia, artéria ou órgão, «mas por descuido ou inabilidade, não o fez, acabando por lacerar o fígado e provocar as feridas (¿), conduta que devia e podia evitar».

A primeira sessão do julgamento está marcada para as 09:30, no 1.º Juízo Criminal do Tribunal de Família e Menores e de Comarca de Portimão.