O reitor da Universidade do Porto (UP), José Marques dos Santos, é «contra todo o tipo de praxes violentas».

Faculdade de Ciências do Porto proíbe praxes para evitar «bestas e bárbaros»

«Tudo o que for coação psicológica e física, o que seja tratar mal o cidadão, sou contra. Não estamos a treinar militares, estamos educar cidadãos. Sou contra as praxes violentas», afirmou o reitor da UP, José Marques dos Santos, nesta segunda-feira.

O reitor falava à margem do X Plenário da Comunidade de Trabalho Galiza/Norte de Portugal que decorre hoje em Baiona, Espanha, tendo aproveitado para enumerar os passos dados pela UP sobre praxes.

«No Porto, felizmente não há muitos casos. Há muitos anos que conseguimos encontrar soluções e nós próprios tomámos algumas posições que nos levaram a distanciar-nos dessas situações. Este ano, por exemplo, proibimos as praxes dentro do campus universitário se forem violentas ou com coacção psicológica ou física», referiu Marques dos Santos.

Outra das situações relatada foi a decisão de não estar presente na tribuna aquando do Cortejo da Queima das Fitas que se realiza todos os anos em maio na UP.

«Esta situação desagrada-me a tal ponto que eu deixei de estar presente no cortejo da Queima das Fitas. Tinha dito que se visse estudantes a andar de joelhos e estudantes a ter de passar separados por não pertencerem às praxes, que não estaria presente e assim fiz. Enquanto for assim, ou enquanto eu for reitor, não marcarei presença», defendeu o reitor da UP.

Marques dos Santos alertou, porém, que «a maior parte destas atividades é feita em praça pública», vincando que «nesse campo a Universidade do Porto pouco pode atuar».

«No meu tempo não havia praxes no Porto por isso não sinto necessidade disso. Defendo o apoio à integração dos estudantes como acompanhamento para as primeiras aulas, ajuda no estudo, apoio para os estudantes deslocados. Infelizmente o 12.º ano não dá a autonomia que devia dar aos estudantes», analisou o reitor da UP.

Questionado sobre se vai marcar presença na reunião convocada pelo Ministério da Educação para discutir esta questão, Marques dos Santos disse apenas conhecer essa reunião pela comunicação social, mas manifestou-se disponível para dar a conhecer a sua opinião sobre o assunto caso seja consultado.

«Ouvi falar dessa reunião pela comunicação social mas não tenho nenhuma convocatória. Tenho já uma reunião prevista com o Ministério da Educação no dia 4 de fevereiro mas sobre outros temas. Mas, claro que se o senhor ministro quiser ouvir-me darei a minha opinião sobre a situação. É preciso resolver esta situação», completou.

O Ministério da Educação e Ciência confirmou domingo ter convocado as associações de estudantes do ensino superior para uma reunião, a realizar esta semana, sobre praxes académicas.