A Câmara de Paredes vai pedir ao Governo que declare a calamidade pública no concelho para acorrer aos prejuízos do tornado da noite passada, que destruiu uma centena de edifícios e deixou 56 pessoas desalojadas.

Celso Ferreira, presidente daquele município do distrito do Porto, explicou à Lusa que a autarquia não tem outra alternativa face ao «cenário de catástrofe» que quatro freguesias do concelho estão a enfrentar.

«Vivemos momentos aterradores»

«Não temos outra alternativa que não seja pedir ao Governo que olhe para nós e que nos dê uma mão, porque neste momento precisamos», afirmou o autarca, acrescentando: «Necessitamos urgentemente de uma atuação concertada para que se possa minimizar o impacto desse fenómeno natural».

Em declarações à Lusa após uma reunião que envolveu todos os meios da Proteção Civil no terreno, Celso Ferreira admitiu que a câmara está perante «uma tarefa grande demais».

«É completamente impossível não pedir a calamidade pública. Fazê-lo impõe o reconhecimento de que algo catastrófico aconteceu», observou.

Os meios da Proteção Civil estão a preparar um documento com todos os dados sobre o que aconteceu na noite passada para, nas próximas horas, ser encaminhado ao Governo.

O edil revelou que o ministro da Administração Interna e o secretário de Estado da Segurança Social estão a acompanhar a situação. No domingo, o executivo camarário vai reunir-se a título extraordinário para deliberar sobre o apoio financeiro que será prestado no apoio às famílias.

No entanto, o presidente da câmara insiste ser «completamente impossível» à autarquia levar por diante sozinha as tarefas de reconstrução: «Por mais vontade política e por mais capacidade financeira que o município de Paredes possa afetar a tudo isto, a verdade é que esta é uma empreitada demasiado grande para as nossas capacidades».

Celso Ferreira fala até na necessidade de se avançar para uma campanha de solidariedade.

«Nós precisamos de ajuda mais do que nunca. Se é verdade que, no passado, ajudámos tantos outros territórios e tantas outras organizações, agora chegou a nossa vez de pedir ajuda», sublinhou.

A propósito, o autarca agradeceu à Fundação Portugal Telecom, que hoje anunciou a disponibilização de quatro habitações pré-fabricadas, que dispõem de cozinhas equipadas, dois quartos e casa de banho e estão prontas a habitar.

O apuramento dos prejuízos, realizado esta noite, concluiu pela existência de uma centena de edifícios com «danos severos», 60 dos quais são casas que ficaram sem condições de habitabilidade.

Cinco fábricas sofreram prejuízos e outra ficou totalmente destruída.

A cobertura do posto do futuro posto da GNR de Lordelo também ficou destruída, o que também ocorreu no pavilhão desportivo da Escola Secundária de Vilela.

Um cemitério e uma igreja também ficaram danificados pelo tornado.

O fenómeno natural foi sentido cerca das 3:15 e também derrubou várias árvores. Apesar dos danos materiais, não houve feridos.

Os desalojados vão passar a noite em casas de familiares, com exceção de dois que viviam sozinhos e que ficarão em duas instituições de solidariedade social do concelho.

«As pessoas estão realojadas, mas a verdade é que temos aqui uma tarefa muito dura e muito difícil», concluiu o autarca.