Está mal e vai piorar. A Proteção Civil emitiu um aviso à população por causa do mau tempo, que vai agravar-se ainda mais nos próximos dias. Podem mesmo vir a ser registados "fenómenos extremos" de vento, para além de piso escorregadio, formação de gelo, cheias, inundações e queda de árvores.

[Espera-se] precipitação forte, trovoada, intensificação do vento com possibilidade de registo de fenómenos extremos, e agravamento da agitação marítima em toda a costa".

A partir da próxima madrugada e, "previsivelmente até domingo", 11 de março, haverá "precipitação forte e persistente" em todo o território, em especial no Minho e Douro Litoral, podendo abranger também os distritos de Vila Real, Viseu e Aveiro.

O aviso refere que os valores acumulados podem atingir os 40-60 mm/12 horas. O "período mais crítico" será entre as 15 horas e as 21 horas de amanhã, 9 março.

Quanto ao vento, será moderado a forte (até 55 km/h) do quadrante sul, com rajadas até 85 km/h, no litoral, e de até 110 km/h, nas terras altas. Há a "possibilidade de ocorrência de fenómenos extremos de vento, mais prováveis a Sul".

Esta semana, recorde-se, registou-se um tornado em Faro, que provocou bastantes estragos. Já no Norte do país, em Viana do Castelo, houve dois tornados na costa.

Ora, a costa nacional também estará em sobressalto nos próximos dias. As ondas podem chegar aos 8 a 12 metros, a partir das 18 horas desta sexta-feira, com possibilidade de galgamento em algumas zonas, segundo a Autoridade Marítima Nacional.

“As condições do estado do mar vão ser fortes. A situação vai alterar-se e a ondulação pode andar entre os 08 e os 12 metros, com possibilidade de galgamento em algumas zonas”, disse à Lusa o comandante Fernando Pereira da Fonseca, porta voz da Marinha e da Autoridade Marítima Nacional.

No domingo prevê-se o agravamento do estado do mar com ondas a ultrapassarem os 7 metros na costa ocidental e picos máximos de até 14 metros.

Perante este cenário previsto, a Proteção Civil avisa também para as consequências:

  • Piso rodoviário escorregadio e eventual formação de lençóis de água e gelo;
  • Possibilidade de cheias rápidas em meio urbano, por acumulação de águas pluviais ou insuficiências dos sistemas de drenagem;
  • Possibilidade de inundação por transbordo de linhas de água nas zonas mais vulneráveis;
  • Inundações de estruturas urbanas subterrâneas com deficiências de drenagem;
  • Danos em estruturas montadas ou suspensas;
  • Dificuldades de drenagem em sistemas urbanos, nomeadamente as verificadas em períodos de preia-mar, podendo causar inundações nos locais mais vulneráveis;
  • Possibilidade de queda de ramos ou árvores em virtude de vento mais forte;
  • Possíveis acidentes na orla costeira;
  • Fenómenos geomorfológicos causados por instabilização de vertentes associados à saturação dos solos, pela perda da sua consistência.

Por isso, pede à população prudência e "comportamentos adequados" para mitigar o efeito do mau tempo. Como medidas preventivas:

  • Garantir a desobstrução dos sistemas de escoamento das águas pluviais e retirada de inertes e outros objetos que possam ser arrastados ou criem obstáculos ao livre escoamento das águas;
  • Adotar uma condução defensiva, reduzindo a velocidade e tendo especial cuidado com a possível acumulação de neve e formação de lençóis de água nas vias;
  • Não atravessar zonas inundadas, de modo a precaver o arrastamento de pessoas ou viaturas para buracos no pavimento ou caixas de esgoto abertas;
  • Garantir uma adequada fixação de estruturas soltas, nomeadamente, andaimes, placards e outras estruturas suspensas;
  • Ter especial cuidado na circulação e permanência junto de áreas arborizadas, estando atento para a possibilidade de queda de ramos e árvores, em virtude de vento mais forte;
  • Ter especial cuidado na circulação junto da orla costeira e zonas ribeirinhas historicamente mais vulneráveis a galgamentos costeiros, evitando se possível a circulação e permanência nestes locais;
  • Não praticar atividades relacionadas com o mar, nomeadamente pesca desportiva, desportos náuticos e passeios à beira-mar, evitando ainda o estacionamento de veículos muito próximos da orla marítima;
  • Estar atento às informações da meteorologia e às indicações da Proteção Civil e Forças de Segurança.