O presidente da Câmara de Ponta Delgada, concelho mais atingido pelo temporal que assolou os Açores na segunda-feira, disse esta quarta-feira que espera cooperação do Governo Regional para fazer face aos estragos, quando ainda decorrem trabalhos de limpeza.

“Vamos suscitar um esforço de cooperação entre as instituições, designadamente o Governo Regional”, afirmou à agência Lusa José Manuel Bolieiro, considerando que “da parte do município” não se coloca, neste momento, a necessidade de um eventual recurso ao executivo de Lisboa.

O autarca esclareceu que os prejuízos no concelho são “avultados”, escusando-se, por enquanto, a quantificá-los, até porque não existem garantias de que o mau tempo não possa regressar nos próximos dias.

José Manuel Bolieiro salientou a situação do porto de Ponta Delgada, que “tem um gravíssimo prejuízo no molhe”, apontando ainda a avenida do Mar e “algumas habitações mais próximas da linha de água que foram muito afetadas”.

Mais no interior do concelho, o autarca referiu casos de telhados danificados e problemas nas vias, garantindo que o município “está a colaborar com as famílias mais afetadas”.

“Num caso são prejuízos que o próprio município terá de assumir, nomeadamente a reparação imediata de vias”, declarou, referindo que “quanto à orla costeira e habitações” espera, “no tempo de rescaldo mais cauteloso, contar com o apoio da administração regional e de todas as instituições que possam cooperar na recuperação”.

O presidente da Câmara de Ponta Delgada defendeu, ainda, uma “reavaliação de todo o estado” do porto, não apenas para a reparação, mas na sua “avaliação futura”, sublinhando que se trata de um porto “essencial para a economia de Ponta Delgada, de São Miguel [grupo oriental do arquipélago] e dos Açores”.

As ilhas dos grupos oriental e central estiveram na segunda-feira sob aviso vermelho, o mais grave numa escala de quatro, devido às condições atmosféricas adversas.

O mau tempo provocou um morto e a Proteção Civil regional contabilizou 157 incidentes, tendo as operações de socorro envolvido 440 operacionais e 109 viaturas.

Escolas, tribunais e serviços municipais fecharam e mais de 1.600 passageiros ficaram em terra devido ao cancelamento de dezenas de voos.

No mesmo dia, a empresa pública que gere os portos nos Açores informou, em comunicado, que diversos portos do arquipélago sofreram “intensos galgamentos pelo mar muito alteroso que se fez sentir” e, pelo diagnóstico que foi efetuado, a situação mais gravosa foi no porto de Ponta Delgada, com “danos junto à cabeça do molhe, onde ocorreu o derrube de parte do muro cortina”.

Na terça-feira, questionada sobre o valor dos prejuízos nos portos do arquipélago, sobretudo no de Ponta Delgada, a empresa fez saber não ser ainda “possível fazer a sua contabilização”, dado que nas infraestruturas “mais afetadas a avaliação terá, forçosamente, de ser efetuada por terra e por mar, conjugando, eventualmente, observação superficial com peritagens submarinas”.