O mau tempo está a provocar estragos na Praia do Furadouro, no concelho de Ovar. A força das ondas destruiu esta terça-feira um dos bares desta zona costeira. A forte agitação marítima e a superlua que se registou na última noite contribuíram para esta situação. Cerca das 14:30, no pico da maré cheia, as ondas eram muitos grandes e invadiram o estabelecimento, destruindo-o por completo.

“Com o avanço do mar, a ondulação era muito forte e destruiu o bar todo. Não havia nada a fazer”, conta Filipe Matos, proprietário do bar Meia Praia, ao repórter da TVI no local.


“Trabalho aqui no Furadouro há 13 anos, vejo o mar todos os dias, costumo dizer que sou um privilegiado por trabalhar na praia, mas isto é brutal. A força que o mar tem… Eu tive medo. Não é a primeira vez que tenho medo. Hoje, por sorte, não aconteceu nada, mas quase que erámos apanhados por uma onda fortíssima. Conseguimos fugir. Mas de facto é uma coisa brutal”, acrescentou.
 
Do incidente não há feridos a registar. A estrada que dá ligação à Praia do Furadouro está cortada para limpeza da via.

Em declarações à Lusa, o comandante da corporação local de bombeiros voluntários informou que a área em causa "ficou mais desprotegida depois das obras que se fizeram no ano passado" para reforço da defesa da marginal. Carlos Borges contou que, hoje, "como houve umas correntes diferentes do habitual, o mar galgou a zona e entrou pelo bar dentro."

O estabelecimento tem por base uma estrutura em madeira e sofreu "uns estragos", que o comandante considera, contudo, previsíveis. "Já não é coisa com que não se esteja a contar", afirmou. "Naquele lugar, mais tarde ou mais cedo vai voltar a acontecer e o que interessa é que continue a não haver feridos", realçou.

Carlos Borges antecipou que as condições do mar devam "atenuar-se daqui para a frente", mas referiu que o corpo de bombeiros de Ovar continuará atento ao evoluir da situação ao longo da noite.

"O inverno ainda nem começou a sério", observou o comandante. "As obras que fizeram o ano passado realmente resultaram, porque o mar já não bate ali com a mesma força, mas a partir de agora temos que estar sempre atentos para ver o que o inverno nos reserva", concluiu.