O vice-presidente do Governo da Madeira considerou esta quinta-feira que, «apesar dos efeitos devastadores, não fazer sentido» comparar o temporal da noite passada, que provocou cinco feridos, seis famílias desalojadas e estradas intransitáveis com o 20 de fevereiro de 2010.

«Não creio que faça sentido, porque a 20 de fevereiro de 2010 morreram cerca de 50 pessoas. Só é comparável porque num momento a precipitação foi semelhante. A situação é grave e dramática, mas não podemos exagerar», disse o responsável do executivo madeirense numa conferência de imprensa para fazer o balanço dos prejuízos do mau tempo que afetou sobretudo o Santo da Serra e o Porto da Cruz (Machico) e Santa Cruz.

O número dois do Governo da Madeira, acompanhado pelo secretário regional dos Assuntos Sociais e o vice-presidente do Serviço Regional de Proteção Civil, informou que a forte precipitação provocou cinco feridos, um dos quais continua internado no hospital dr. Nélio Mendonça, no Funchal, sem inspirar cuidados, danos em seis habitações no Porto da Cruz (5) e em Santa Cruz (1).

«Mas as pessoas estão alojadas em casas de familiares e vizinhos por opção própria¿, adiantou João Cunha e Silva, acrescentando que as moradias ¿não estão irremediavelmente perdidas», pelo que os habitantes querem regressar o mais rápido possível.

Falando das principais consequências da forte precipitação, o governante enunciou «deslizamentos de terras, inundações, galgamento de leitos de ribeiras, encerramentos de estradas (Via Expresso, regionais e municipais), destruição de propriedades agrícolas».

O responsável referiu que estão encerradas duas estradas (Santo-Portela-Porto da Cruz e a entre a Encumeada e o Lombo do Mouro), estando condicionado o trânsito na estrada regional 103 (Cruzinhas), 207 (São Roque do Faial) e está interditado o trânsito a viaturas pesadas na via Seixal-Chão da Ribeira.

«A pior situação é a estrada que desce da Portela para o Porto da Cruz cujo acesso ficará interrompido durante três a quatro dias», disse, acrescentando que outras devem estar operacionais ainda hoje, caso da Via Expresso, na qual decorrem os trabalhos de limpeza de grandes entulhos e detritos, mas a circulação deverá ser efetuada com muita precaução pois o piso está «muito escorregadio» e «as guardas de segurança ficaram completamente danificadas com os escorregamentos».

João Cunha e Silva apontou que «as linhas de água estão a ser restabelecidas e deverão ficar normalizadas até domingo».

Em termos de eletricidade foram afetados 366 clientes, faltando ainda repor o abastecimento a 47, uma situação que deverá ficar normalizada ainda hoje, adiantou.

Relativamente ao levantamento dos prejuízos públicos e privados disse: «Depois vamos-nos arranjar conforme pudermos atendendo às graves dificuldades financeiras que temos, mas não creio que ir bater à porta de Lisboa seja solução, já noutras circunstâncias tentamos e não fomos bem sucedidos».

O responsável destacou que estiveram no terreno «todas as entidades necessárias» e a «colaboração estreita e cordial entre todas as entidades apesar de não serem do mesmo partido», admitindo algumas «fragilidades que têm de ser emendadas no futuro na forma de comunicar».

Alertou ainda para as previsões de chuva forte na próxima terça e quarta-feiras, fazendo votos que «não se concretize e passe ao largo».