O presidente da câmara da Lourinhã estimou esta terça-feira que até quarta as limpezas que decorrem na vila e na localidade do Vimeiro, devido às cheias, deverão estar concluídas.

No ponto de situação, feito cerca das 12:00 à comunicação social, o presidente da câmara, João Duarte Carvalho, responsável pela Proteção Civil Municipal, disse que «a prioridade é limpar o centro da vila e a localidade do Vimeiro», adiantando que «entre hoje e quarta-feira» as limpezas deverão ficar concluídas «para se circular minimamente».

As inundações deixaram temporariamente seis pessoas desalojadas, que passaram a noite em alojamentos locais e nos bombeiros, mas duas delas «já voltaram às suas casas».

Quanto às restantes, as autoridades vão ainda esta terça «fazer o reconhecimento da situação das casas» - numa um muro caiu e os resíduos contribuíram para ficar inundada de água, por falta de escoamento, enquanto outra teve estragos no telhado e chovia no seu interior.

«Se não tiverem condições, vamos continuar a assumir essa responsabilidade até voltarem às suas casas. Neste momento, são quatro pessoas e uma criança», afirmou João Duarte Carvalho.

Ao apontar como causas das cheias a forte precipitação e o transbordo do rio Grande e de um seu afluente, o presidente da câmara alertou para a «responsabilidade da Agência Portuguesa de Ambiente na falta de limpeza das linhas de água», bem como dos agricultores, que não limpam adequadamente os terrenos e as linhas de água.

Apesar de já não estarem inundadas, as estradas continuam com muita lama, dificultando a circulação de pessoas e veículos, e nas ações de limpeza estão envolvidos 110 bombeiros, 24 viaturas e meia centena de funcionários da autarquia.

Particulares e comerciantes continuam também, com a ajuda dos bombeiros, a escoar a água que invadiu casas e estabelecimentos comerciais, e a limpar os resíduos e a lama, deixados pelas cheias.

Margarida Nobre, proprietária de uma loja de ferragens aberta há 65 anos, explicou que nem nas últimas maiores cheias, de 1986, onde andou de barco dentro da vila, ficou com tantos estragos.

«A partir de certa altura, não foi a água que vinha de fora, mas a que nascia lá dentro, na casa de banho e ralos», relatou.

Na igreja e no Centro Pastoral, que também ficaram inundados, registaram-se estragos sobretudo em pisos e instalações elétricas. Até os párocos andaram a escoar a água de esfregona e balde na mão, como reporta a Lusa.

De acordo com a Proteção Civil, além de terrenos agrícolas submersos a escola do primeiro ciclo de Casal Novo, com 30 crianças, não abriu «porque as salas não estavam em condições».

A Comissão Municipal de Proteção Civil reuniu-se esta terça de madrugada, mas não foi ativado o plano de emergência.

«Se fosse uma catástrofe que envolvesse pessoas e muitos bens materiais, teríamos de ativar, mas não atingimos esse nível» de gravidade, justificou o autarca.

Outros prejuízos: cerca de cem hectares de culturas hortícolas, de um total de 500 afetados pelas cheias no concelho da Lourinhã, estão destruídos por completo, estimou hoje a Associação Interprofissional de Horticultura do Oeste (AIHO).

O presidente da associação, António Gomes, disse à agência Lusa que a maior parte dos agricultores destes 500 hectares não tem seguros.