O mar levou nas últimas horas milhares de metros cúbicos de areia da praia de Moledo deixando um bar ali existente com os alicerces à vista e o concessionário a recear pela próxima época balnear.

«Em seis anos que estou aqui nunca vi uma coisa destas, de maneira alguma. Nunca vi o mar assim, só nas últimas 48 horas levou milhares de metros cúbicos de areia, os alicerces estão a ficar descalços», explicou à Lusa Júlio Barbosa.

Desde 2009 que o empresário explora o «Café Com Gelo», um bar em plena praia de Moledo, mas face ao avanço do mar, agravado na madrugada de sábado, que teme «que o mar leve tudo».

«Posso dizer que há três noites que durmo uma hora. O resto do tempo é passado aqui, a colocar areia nos alicerces, a ver se não vai tudo, mas está complicado», desabafa, sem esconder a preocupação.

A proteção civil municipal e a capitania do porto de Caminha estão a acompanhar a situação e no local, durante a manhã, já estiveram máquinas a tentar suster os alicerces do bar, em madeira, com a deposição de areia.

A praia praticamente deixou de existir naquele local nas últimas horas e por precaução o concessionário já tirou todos os equipamentos do interior do bar.

«Esta estrutura está em causa. No verão, com os nadadores-salvadores, temos cerca de dez pessoas a trabalhar aqui», aponta Júlio Barbosa, que receia não conseguir abrir o bar em maio, como é normal, apesar dos milhares de euros que tem vindo a investir.

«Estamos dedicados ao máximo para voltar a abrir isto. Eu e a minha mulher dependemos disto para viver», assume.

O maior receio prende-se com a preia-mar de hoje, às 16:39, e que conjugada com a forte agitação marítima faz prever para aquela zona, indicou à Lusa o comandante da Capitania de Caminha, ondas de mais de sete metros.

«Estamos a recomendar às pessoas que evitem a exposição ao perigo, respeitando a sinalização e evitando passeios junto à orla costeira. Vamos promover patrulhas durante o período crítico e se detetarmos pessoas e bens em perigo vamos intervir, em conjunto com a proteção civil municipal», disse Gonzalez dos Paços.

Além de Moledo, a Polícia Marítima de Caminha vedou nas últimas horas o acesso ao que resta da duna dos Caldeirões, em Vila Praia de Âncora, que voltou a sofrer com a intempérie.

Desde fevereiro que o mar tem vindo a destruir aquela duna, numa área com cerca de sete metros de altura e 100 metros de comprimento, fazendo o rio Âncora encontrar uma nova foz.

A intervenção definitiva no local só deverá arrancar em setembro e vai custar 1,4 milhões de euros.