A maré já «começou a descer» na Costa de Caparica, prevendo-se novo momento «crítico» às quatro da manhã, adiantou à Lusa o comandante Cruz Gomes, adjunto do capitão do Porto de Lisboa.

«O mar começou a galgar o paredão» por volta das 13:00 de hoje, mas, a partir das 17:00, «acalmou um bocadinho» e «o efeito da maré deixou de se sentir», especificou.

«A maré começou a descer», relata o comandante, estimando que o próximo «momento mais crítico» aconteça às quatro da manhã de domingo.

Segundo as previsões meteorológicas citadas pelo comandante, o mar vai recuar «um pouquinho» e o vento, do quadrante norte, «vai estar fraco», o que «ajuda a que eventualmente já não haverá estragos esta noite e durante o dia» de domingo.

Os estragos causados pelo avanço do mar «não têm grande significado», avalia, referindo «algumas pedras soltas em cima do paredão» e alguma água com areia no «parque de estacionamento por trás dos restaurantes» situados na frente urbana.

Na madrugada deste sábado, restaurantes e cafés da Praia do CDS ficaram inundados.

«A seguir ao paredão, quando começam as praias de São João da Caparica», o cordão dunar «está um bocadinho vulnerável», mas «aguentou», referiu o responsável do Porto de Lisboa.

«O cordão recuou, ou foi comido, cerca de um, dois metros, mas ainda existe uma quantidade significativa de areia, à partida não deve rebentar», acredita, explicando que, «como há muita falta de areia, o mar está a rebentar mais em cima das pedras, razão pela qual ele sobe com maior facilidade o paredão». Se houvesse areia em maior quantidade, «o mar começava a quebrar mais em cima da areia e atenuava um pouco os efeitos em terra», explica.

A menor quantidade de areia resulta de ¿um acumular de situações¿, agravadas pelos rigores deste inverno. ¿Neste ano estamos com um fenómeno um bocadinho diferente, é que são tempestades consecutivas, umas atrás das outras, e nunca dá para recuperar muita areia, inclusivamente vai-se afastando ainda mais¿, realça.