A chuva forte, com probabilidade de ocorrência de trovoadas, o vento e a agitação marítima regressam a partir desta quarta-feira, sendo sexta-feira o dia mais gravoso.

De acordo com a meteorologista do Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA), hoje ainda “vai ser um dia pacífico, com temperaturas mínimas da ordem dos 0 a 2 graus nas regiões do interior Norte e Centro associados a uma massa de ar polar e aguaceiros fracos e pouco frequentes".

A partir da tarde, o céu vai tornar-se muito nublado, inicialmente nas regiões do litoral sul e depois estendendo-se a todo o território. A partir do meio da tarde, vamos ter períodos de chuva fraca e chuvisco na região Norte. A chuva virá de sul para norte e haverá queda de neve nos pontos mais altos da Serra da Estrela”, indicou Maria João Frada.

Na quinta-feira, prevê-se uma subida significativa dos valores da temperatura mínima, da ordem dos 4/5 graus e da máxima entre 2 e 5 graus.

Neste dia, vai ocorrer chuva em todo o território, que pode ser chuva forte localmente e (…) pode haver queda de neve acima dos 1000/ 1200 metros, mas é muito temporária, pois com a entrada do ar mais quente a neve fica confinada aos pontos mais altos da Serra da estrela.”

Segundo Maria João Frada, a chuva vem acompanhada de vento moderado a forte do quadrante sul com rajadas que podem atingir os 85 quilómetros por hora, neblinas e nevoeiros.

Este cenário vai-se prolongar para dia 9 [sexta-feira]. Este será um dia mais grave do que dia 8. Até ao final da manhã de dia 10 vamos ter chuva por vezes forte, especialmente nas regiões do Norte e Centro, e vento forte e ocorrência de trovoadas e granizo."

A meteorologista do IPMA explicou que este cenário vai ser válido até ao final da manhã de dia 10 e depois entra-se em regime de aguaceiros que também podem ser localmente fortes.

Estão também reunidas algumas condições para ocorrer fenómenos extremos de vento em particular no litoral oeste, mas ainda a acompanhar porque são situações que temos acompanhar mais em cima do acontecimento”, antecipou.

Segundo a meteorologista, estes próximos dias, pelo menos até domingo, vão ser de ocorrência de precipitação, vento forte e trovoadas.

“Relativamente à agitação marítima, para já está tudo pacífico, mas a partir de dia 9 vamos ter na costa ocidental um aumento da altura significativa das ondas que serão de oeste-sudoeste a partir da tarde com 4 a 5 metros e no dia 10 vão atingir 5/6 ou 6/7 ou mais, nos dias 10 e 11”, disse.

No arquipélago da Madeira, também está prevista precipitação e vento forte e as ondas podem atingir os quatro a cinco metros de oeste.

De acordo com Maria João Frada, este agravamento deve-se a uma depressão que está no Atlântico, a oeste dos Açores.

Vem direta para o continente e vai deslocar-se para noroeste. Vai entrar uma massa tropical que é instável e que vai dar origem a esta precipitação continuada e forte e condições para trovoada. Como a depressão está em aproximação do continente, mas está bastante cavada vamos ter uma aumento da intensidade de vento em especial nos dias 10 e 11.”

Agravamento até sábado nos Açores

A Proteção Civil dos Açores recomendou hoje medidas de autoproteção tendo em conta o agravamento do tempo no arquipélago, até sábado, com previsões de chuva, trovoada e agitação marítima nas nove ilhas.

O mau tempo, segundo o Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA), deve-se "a uma depressão centrada a noroeste do arquipélago, com uma superfície frontal associada e deslocamento para leste".

O grupo ocidental (Flores e Corvo) vai estar sob aviso amarelo por causa da precipitado e trovoada entre as 15:00 locais de hoje (mais uma hora em Lisboa) e as 00:00 de sexta-feira.

As ilhas das Flores e Corvo vão estar também sob aviso amarelo referente à agitação marítima das 18:00 de quinta-feira às 00:00 de sábado, prevendo-se ondas de sudoeste, passando a noroeste, de seis a sete metros.

Para o grupo central (Terceira, Pico, São Jorge, Graciosa e Faial), o aviso amarelo devido à chuva e trovoada vai vigorar entre as 18:00 de hoje e as 00:00 de sexta-feira.

As cinco ilhas estarão ainda sob aviso amarelo devido à agitação marítima, das 18:00 de quinta-feira às 00:00 de sábado, com previsões de ondas de sudoeste, passando a noroeste, de seis a sete metros.

No grupo oriental (São Miguel e Santa Maria), o aviso amarelo de chuva e trovoada estará em vigor das 21:00 de hoje às 06:00 de sexta-feira.

O IPMA colocou ainda as ilhas daquele grupo sob aviso amarelo entre as 18:00 de quinta-feira e as 00:00 de sábado, por causa das previsões de agitação marítima com ondas de sudoeste, passando a noroeste, de seis a sete metros.

O Serviço Regional de Proteção Civil e Bombeiros dos Açores recomenda que sejam tomadas medidas de autoproteção face a estas previsões meteorológicas no arquipélago açoriano, que vai estar sob aviso amarelo, o segundo menos grave de uma escala de quatro e que revela situação de risco para determinadas atividades dependentes da situação meteorológica.

O mau tempo que se faz sentir no arquipélago originou na terça-feira o cancelamento de alguns voos entre as ilhas dos Açores, ligações asseguradas pela SATA Air Açores, o que afetou cerca de 300 passageiros, segundo indicou o porta-voz da companhia aérea açoriana.

António Portugal adiantou ainda à agência Lusa que foram também canceladas na terça-feira ligações da Azores Airlines entre Lisboa e o Faial e ainda Terceira, o que afetou 120 passageiros.

A SATA já está, no entanto, a repor todas as ligações canceladas devido ao mau tempo.

18 quedas de arribas no Algarve

A queda de uma arriba na praia dos Careanos, em Portimão, na terça-feira, foi o 18.º desmoronamento registado na costa do barlavento algarvio desde o início do mau tempo, revelou hoje a Agência Portuguesa do Ambiente (APA).

A APA é a entidade pública responsável pela monitorização das arribas e falésias da costa do Algarve e explicou que esse é um trabalho de “rotina” que faz todo o ano, mas é “densificado” quando se verificam condições meteorológicas adversas ao nível da precipitação e da agitação marítima.

“Durante o período da referida tempestade, entre 28 de fevereiro e [terça-feira] 6 de março, foram já identificados 18 desmoronamentos das arribas, nos concelhos de Albufeira, Lagoa e Portimão. O desmoronamento de ontem [terça-feira] na praia dos Careanos corresponde ao 18.º e foi a derrocada de maiores dimensões associada a este evento, mobilizando volume de cerca de 200 metros cúbicos” de detritos, quantificou a APA em comunicado.

A mesma fonte anunciou que vai manter a “rotina de observação e registo” das arribas até maio, para definir antes do início da época balnear se é necessário intervir com máquinas para estabilizar zonas que apresentem risco elevado de desmoronamento.

Além das “intervenções tendentes a minorar o risco associado à geodinâmica das arribas” e “eventuais derrocadas controladas”, será também feito até ao início da época balnear “o reforço da sinalização” ou a “implantação de balizamento”.

A APA reiterou a necessidade de ter em conta que as arribas são “naturalmente instáveis” e as pessoas devem “evitar permanecer e/ou circular na sua base ou no topo, particularmente durante estes episódios” de mau tempo.

“Nos períodos de incidência de agitação marítima, de tempestade ou de forte precipitação, as campanhas de observação são densificadas, uma vez que os eventos de desmoronamento das arribas são frequentemente desencadeados durante esses episódios”, justificou.

O organismo público precisou que, como “autoridade de gestão costeira do Algarve, iniciou a observação e registo de desmoronamentos em 1995” e, “desde 2002, como rotina, anualmente são realizadas campanhas de observação por terra, mar (a bordo de embarcação com a Autoridade Marítima) e ar (a bordo de uma aeronave)”.

Na segunda-feira, a Autoridade Marítima Nacional (AMN) alertou a população para a possibilidade de derrocadas de arribas e costas rochosas, por a sua estabilidade poder ter sido afetada pelo mau tempo, estendendo o alerta a "toda a população do continente, Madeira e Açores, e em particular à costa sul algarvia".