A Proteção Civil deu conta de uma melhoria da situação das cheias na madrugada deste domingo nos distritos de Coimbra e Porto, sob aviso meteorológico laranja, indicando que os caudais dos rios estão a baixar, bem como o número de ocorrências.

“Sobre as cheias do Rio Mondego podemos realçar que se começa a verificar uma estabilização dos caudais, diminuíram significativamente”, disse à agência Lusa Manuel Oliveira, do Comando Distrital de Operações de Socorro (CDOS) de Coimbra.

Esta estabilização sentiu-se particularmente a partir das 03:00, prevendo-se “um ligeiro abrandamento nas próximas hora da quota dos caudais”. No entanto, Manuel Oliveira lembra que “muitos campos agrícolas” no baixo Mondego foram afetados e algumas casas inundadas em Montemor-o-Velho.

A localidade de Cabouco continua ameaçada pelo caudal do rio Ceira, havendo cerca de 30 casas inundadas, e o Mondego invadiu o Parque Verde na margem direita, a Praça da Canção e o Mosteiro de Santa Clara na margem esquerda.

Há ainda registo de inundações em estabelecimentos comerciais, habitações e garagens no lado de Santa Clara, e no Vale do Mondego há meia dezena de estradas municipais e de caminhos rurais alagados, embora existam percursos alternativos devidamente assinalados.

"Está tudo complicado, mas não piorou", disse à Lusa fonte do Destacamento Territorial da GNR de Coimbra, acrescentando que "a chuva amainou por volta das duas da manhã".

Fonte do CDOS assegurou que os diques do Mondego, situados a jusante de Coimbra, numa zona próxima do Choupal e do Centro Hípico, foram abertos durante a noite pela pressão das águas, o que impediu que a situação se tornasse ainda mais difícil.

"Os diques abrem automaticamente quando a pressão da água é demasiada", explicou a mesma fonte, lembrando que o débito de água na ponte-açude chegou a superar 1200 metros cúbicos de água por segundo a meio da tarde de sábado.

Segundo o CDOS de Coimbra, na noite de sábado foram abertos os diques fusíveis da bacia do Mondego, uma possibilidade que tinha sido avançada pelo presidente da Câmara de Coimbra, Manuel Machado.

“Os diques fusíveis já estão a funcionar. São três diques que a margem direita do rio Mondego tem que, com determinadas quotas [de água], abrem para inundar os campos agrícolas. Foram construídos para isso, para tirar caudal ao leito principal”, explicou Manuel Oliveira.

 

Desagravamento da situação a norte

No Porto, o cenário é também de estabilização, de acordo com o CDOS do distrito: “Tem-se dado um desagravamento, os caudais do rio estão a baixar, a tendência é desagravar a situação”.

Inundações, quedas de telhas, de ramos, de chaminés e de algumas árvores foram as principais ocorrências provocadas pelo mau tempo no distrito do Porto, disseram à Lusa fontes dos bombeiros e de outras autoridades.

O Centro Distrital de Operações de Socorro do Porto referiu que não há nenhuma situação grave a registar, nem que tenha provocado danos materiais significativos.

De acordo com os Sapadores do Porto e de Gaia, a noite foi considerada normal para as condições atmosféricas verificadas e só ao início da manhã os pedidos de auxílio começaram a chegar em maior número, a maior parte dos quais devido a quedas de telhas, de chaminés, pequenas inundações e “duas ou três” quedas de árvores.

“Há sobretudo chapas e muitos ramos de árvores na via pública”, disse a fonte dos Sapadores do Porto.

Fonte da Capitania do Douro disse à Lusa que a possibilidade de eventuais cheias nas zonas ribeirinhas do rio Douro ainda não está excluída, mas para já “não há motivos de preocupação”.

Fonte da Polícia Marítima de Leixões disse também que não se registou nenhuma ocorrência significativa provocada pelo mau tempo.