Os pescadores de Castelo de Neiva estimaram hoje em mais de 600 mil euros os prejuízos do mau tempo dos últimos meses, estando a Câmara de Viana do Castelo a preparar um plano de intervenção social.

Aquela comunidade piscatória na periferia da cidade de Viana do Castelo envolve 30 embarcações de pesca tradicional e mais de 80 pescadores, mas desde 10 dezembro que o estado do mar e o mau tempo, associados ao forte assoreamento da barra, não permitem a faina.

Além de três meses praticamente sem qualquer rendimento, que segundo a Associação dos Armadores de Pesca de Castelo de Neiva (AAPCN) está a deixar estes pescadores em «situação crítica» socialmente, queixam-se da destruição total, pela agitação marítima, das artes que estavam colocadas no mar.

«Estamos a falar de 20 mil euros de prejuízos por cada embarcação, só nas artes que se perderam no mar e contas por alto. É uma calamidade», disse hoje a presidente da AAPCN.

Segundo Maria José Neto «não há memória» de um inverno com tantas dificuldades naquela freguesia, onde «já se nota a fome» e a falta de dinheiro «para pagar as contas» por parte dos pescadores locais.

«É uma coisa que nunca vi. Os patrões perderam as artes que tinham no mar e tem de investir outra vez, mas não há dinheiro. Não sei como vamos pagar estes prejuízos», aponta, admitindo que já há embarcações de Castelo de Neiva à venda.

A vereadora com o pelouro da Ação Social na Câmara de Viana do Castelo, juntamente com uma assistente social, reuniu-se hoje com representantes da AAPCN, admitindo a situação de «grande fragilidade económica» que aquela comunidade está a viver.

De acordo com Ana Margarida Silva, os serviços sociais do município vão promover nos próximos dias uma «análise rigorosa» à situação de cada família dos pescadores, admitindo avançar já na próxima semana com «ajudas pecuniárias» nos casos de maior necessidade.

«Analisando os resultados destes diagnósticos que vão ser feitos veremos quais as medidas de emergência social que a Câmara poderá implementar para ajudar os pescadores a ultrapassarem esta fase mais difícil», disse aos jornalistas a vereadora Ana Margarida Silva.

Estes pescadores já avançaram com um pedido para acederem ao subsídio de compensação salarial, mas o «receio» prende-se com o período de tempo necessário até à atribuição deste apoio.

«Estamos numa situação crítica, sem rendimentos há três meses. Não é possível aguentar assim, precisamos de ajuda urgente», reafirma Maria José Neto, ela própria pescadora de Castelo de Neiva e que em dezembro investiu 35 mil euros na nova embarcação.

«Nunca mais conseguimos recuperar o investimento feito», desabafa a pescadora, que partilha o barco com o marido, ambos afastados do mar desde dezembro e sem qualquer rendimento desde então.

Além dos pescadores, que se dedicam sobretudo à faina do robalo e do polvo, a AAPCN recorda que «centenas de famílias» daquela freguesia vivem direta ou indiretamente da atividade.