O novo ministro da Admnistração Interna fez questão de se deslocar ao Algarve, na sequência das cheias de domingo, para ver de perto os danos. Calvão da Silva defende que houve prevenção, mas não se esperava que a "fúria" da natureza fosse da dimensão que se verificou, sobretudo em Albufeira. 

"Apraz-me registar que os alertas funcionaram, as pessoas tomaram as medidas preventivas. O que acontece é que as medidas preventivas normais não foram suficientes, mas não significa que as medidas tomadas não tenham atenuado apesar de tudo os danos catastróficos, muitos deles, que se verificaram"

Para além dos danos patrimoniais, o ministro destacou o "problema maior": um homem de 80 anos que perdeu a vida, quando foi arrastado pela água. Por isso é que fez questão de "começar a visita" por Boliqueime, aí prestando condolências à família. 

Questionado pelos jornalistas sobre o facto de os técnicos de segurança de construção civil terem dito que o nível de alerta da Proteção Civil não correspondeu ao aviso vermelho do Instituto do Mar e da Atmosfera, o governante insistiu que "as forças operacionais e os comandos funcionaram muito bem, preventivamente, não só por sms, antes por mails". O problema é que, em Albufeira, houve "uma fúria da natureza que se revolvou" e o alerta passou para um nível de proteção distrital.

Com um discurso marcadamente religioso, o ministro defendeu que o que importa, em primeiro lugar, é a sua presença física ali, para confortar as pessoas, remetendo a questão do estado de calamidade para a autarquia, com o argumento de que há uma lei a respeitar e que, por agora, é preciso primeiro fazer o levantamento dos prejuízos.

Deu ainda conta, a esse respeito, que muitos dos lesados com quem falou "já acionaram o seguro" e que isso "é uma lição de vida para todos". Já quem não tem seguro, devia ter: "Para quem não tem seguro, aprende em primeiro lugar que é bom reservar sempre um bocadinho [de dinheiro] para no futuro ter seguro", aconselhou. 

A solução para essas pessoas é, agora, "esperar o levantamento feito pela autarquia e esperar que os requisitos de calamidade se justifiquem" para decretar esse estado e, assim, serem ajudados. 

Calvão da Silva registou, ainda, a "força e tenacidade" dos algarvios, que estão "a reagir", dos "muitos voluntários" e a entre-ajuda entre todos para mais rapidamente proceder às limpezas. .

A Proteção Civil teve que   retirar pessoas de habitações e estabelecimentos comerciais inundados. A Câmara avalia, agora, a possibilidade de decretar o  estado de calamidade.

Já sobre esta primeira aparição pública do ministro em funções - e dado o expectável curto prazo de vida do Governo empossado na sexta-feira -, Calvão da Silva disse que "nesta vida, o que conta é uma resposta imediata", a solidariedade da sua presença. E não pensar na duração do Executivo.