As maternidades do Algarve chegam a pagar 50 euros à hora a pediatras e obstetras de outras regiões do país para assegurar as urgências. Há médicos, sobretudo do Norte do país, a aproveitar os voos low cost entre Porto e Faro, para irem fazer turnos de 24 e 48 horas nas maternidades do Centro Hospitalar Universitário do Algarve (CHUA). Chegam a ganhar 2400 euros por fim de semana. A notícia é avançada pelo Jornal de Notícias.

O Sindicato Independente dos Médicos (SIM) adiante que esta situação se vive há alguns anos, no verão, relativamente a outras especialidades. Mas, no que respeita aos obstetras e pediatras, as carências obrigam a que a se recorra a prestação de serviços durante o ano inteiro.

O CHUA diz que “é a lei da oferta e da procura”. “Os valores que pagamos aos médicos são variáveis. Há uma coisa que se chama oferta e procura e, evidentemente que nas especialidades mais raras, em que há uma maior carência de médicos, serão mais elevados”, diz Ana Paula Gonçalves, presidente do Conselho de Administração do CHUA, em declarações ao JN.

O SIM fala em algo “altamente pernicioso”. “Alguns destes médicos vão fazer banco sendo chefiados por médicos que não ganham nem metade disso. O que causa um problema grave”, diz Jorge Roque da Cunha.  

A situação das maternidades do Algarve entrou na ordem do dia depois de, na semana passada, o deputado do PSD Cristóvão Norte ter tornado público que um bebé teve de ser reanimado por uma anestesista, depois de um parto, por não haver um pediatra de serviço.