O Ministério da Saúde recorreu nesta sexta-feira da decisão judicial de suspensão do encerramento da Maternidade Alfredo da Costa, após providência cautelar intentada por um conjunto de cidadãos no âmbito de ação popular.

O ministério da Saúde e o Centro Hospitalar Lisboa Central (CHLC) referem em comunicado citado pela Lusa que «constituem fundamentos do recurso várias nulidades assacadas à decisão judicial por violação de normas processuais».

Entende a tutela que «foi dada como provada matéria que não foi objeto de prova e considerados como não provados factos inteiramente demonstrados em tribunal».

«Por esta razão, foi interposto recurso quanto à matéria de facto. Constitui ainda fundamento do recurso a alegação de que não estão preenchidos os requisitos para a concessão da providência, em especial por não haver qualquer ilegalidade na atuação do ministério ou do CHLC e não se verificar qualquer perigo para a saúde pública», refere-se no documento.

O ministério da Saúde sublinhou ainda que apresentou «impugnação da sentença na parte em que fixa uma multa para o não cumprimento da mesma, por falta de fundamento para esta decisão».

Quanto às condições de funcionamento dos blocos operatórios do Hospital D. Estefânia, o CHLC apresentou «um requerimento específico, visando a anulação das medidas decretadas com fundamento em alterações das circunstâncias».

A sentença do Tribunal Administrativo de Lisboa reporta-se a 18 deste mês, dando ao Ministério da Saúde um prazo de 15 dias para realizar as operações necessárias à reposição imediata de todos os serviços da Maternidade Alfredo da Costa, proibindo quaisquer atos relacionados com o encerramento da unidade.

A decisão determinava ainda a «abstenção da prática de atos administrativos do Ministério da Saúde, deliberações do Conselho de Administração do CHLC, de todos e quaisquer atos e/ou operações que importem o encerramento da MAC».

O Tribunal Administrativo determinava ainda a manutenção em funcionamento de todos os serviços e valências da maior maternidade do país e fixava que o encerramento da MAC tem de ser inserido num «programa de gestão previsional».

Este programa tem como finalidade estabelecer o calendário, o faseamento e o conteúdo do processo de transição, que deve prever o destino dos profissionais de saúde e dos restantes trabalhadores, bem como das consultas e dos equipamentos.

A decisão do Tribunal Administrativo de Lisboa respondeu a uma providência cautelar interposta em janeiro por um grupo de cidadãos contra o encerramento da maior maternidade portuguesa.

[artigo atualizado às 19:18]