Por: tvi24 | 30- 7- 2010 20: 4
A Sociedade Portuguesa de Matemática (SPM) teceu críticas às metas de aprendizagem da disciplina propostas pela tutela,
sublinhando que o documento tinha «limitações muito graves» e que nem pode ser considerado um «elemento de partida», noticia
a Lusa.
A ministra da Educação, Isabel Alçada, apresentou esta sexta-feira as metas de aprendizagem do pré-escolar
ao 3º ciclo, em nove disciplinas ou áreas disciplinares, indicando que ainda estão a ser analisados os contributos das associações
de professores e sociedades científicas, sendo depois elaboradas as versões finais.
Num parecer datado de 5 de Julho,
a SPM começa por lamentar não ter qualquer membro na elaboração do documento e critica a escolha de uma equipa «sem um único
matemático».
«O documento em apreciação tem limitações muito graves e não nos parece que possa sequer constituir
um elemento de partida para a elaboração de metas», afirma a SPM, no seu parecer.
Para a Sociedade, o documento proposto
para a disciplina é «vago, demasiado extenso e pouco claro», limitando-se a «repetir com insuficiências» o que está contido
no programa da disciplina.
«A palavra competências não aparece uma única vez no documento geral de proposta de metas
nem no documento de metas para a Matemática», lamenta a SPM.
Mais à frente, a Sociedade dá um exemplo do que considera
a gravidade do documento: «¿Escuta os colegas e contrapõe as suas ideias?¿ É esta uma meta matemática? E apenas à entrada
do primeiro ciclo?».
«Estes objectivos são tão vagos que são comuns a várias disciplinas e a todos os anos de escolaridade.
Na realidade nada se está a estabelecer», prossegue.
No parecer, a Sociedade Portuguesa de Matemática alerta para
«o perigo» de transformar a actividade de elaboração de metas «num processo de doutrinação pedagógica dos professores para
práticas dispersas».
Metas quase concluídas
Em conferência de imprensa realizada à tarde em Lisboa,
a ministra da Educação, Isabel Alçada, adiantou que estão praticamente concluídas as metas correspondentes a nove disciplinas
ou áreas disciplinares do pré-escolar ao 3.º ciclo do ensino básico.
As metas consistem na determinação «clara» para
cada ano e cada disciplina de quais são os conhecimentos e competências que os alunos devem adquirir, um documento «não normativo»,
mas sim um «referencial».
«Destinam-se, em primeiro lugar, aos professores, que poderão utilizá-las para fazer a
gestão curricular, preparar aulas, orientar e avaliar as aprendizagens dos alunos. Mas destinam-se também aos pais e aos alunos,
para que possam acompanhar e verificar as componentes essenciais das aprendizagens», explicou a ministra.
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