O jovem acusado de matar com 27 facadas o padrinho, um aristocrata de Braga, confirmou hoje em tribunal, no início do julgamento, que na origem do crime esteve uma «violenta discussão» por causa de 80 euros.

Segundo o arguido, a vítima atravessava grandes dificuldades financeiras e no dia do crime (26 de outubro de 2012) ter-lhe-á exigido que lhe que desse, para ajuda nas despesas da casa, os 80 euros que ele teria acabado de receber, como pagamento de uns «biscates».

Hoje, o arguido garantiu que não tinha recebido aquele dinheiro, uma versão contrariada pelo irmão da vítima.

No dia dos factos, a questão gerou uma «discussão violenta» entre padrinho e afilhado, acabando em homicídio.

«Fiz uma coisa que não devia», referiu o arguido, após lida a acusação.

Num depoimento marcado por fortes inconsistências, confessou lembrar-se da discussão, mas garantiu que não se recorda da forma como o crime foi perpetrado.

Do que também se lembra é de ter sido ele mesmo a tentar reanimar o padrinho e a chamar os bombeiros.

A vítima, Gaspar Roby, de 69 anos, era um dos quatro filhos da condessa de Infias, Braga.

Segundo a acusação, deduzida pelo Ministério Público (MP), Gaspar Roby e a mulher eram padrinhos do arguido e acolheram-no quando ele tinha apenas 2 anos e oito meses.

Fizeram-no a pedido da Segurança Social, dado «os respetivos progenitores se encontrarem incapacitados de lhe prestar os cuidados necessários ao seu desenvolvimento saudável e harmonioso».

«Desde então, passaram a tratá-lo como se seu filho fosse», acrescenta a acusação.

Anos antes do crime, o arguido começou a consumir produtos estupefacientes, em cuja compra gastava o pouco dinheiro que ia conseguindo com os «biscates» que fazia na montagem de portas automáticas.

A situação gerou «insatisfação» no casal que, entretanto, começara a passar dificuldades económicas e que, por isso, queria que o afilhado contribuísse para as despesas da casa.

As discussões foram sendo cada vez mais frequentes, sobretudo com a madrinha, mas a 26 de outubro de 2012, pelas 19:00, a discussão, fatal, seria com o padrinho, no apartamento onde viviam, em S. Vicente, Braga.

O jovem terá pegado numa faca com uma lâmina de oito centímetros, em aço, e atacado o padrinho pelas costas, tapando-lhe a boca com uma mão, enquanto com a outra desferiu vários golpes.

A vítima foi transportada ao hospital, ainda com vida, mas viria a morrer às 00:50 do dia seguinte, no decurso de uma operação a que estava a ser submetido.

O advogado de defesa, Nuno Godinho, já pediu uma perícia às faculdades mentais do arguido, para aferir da eventual inimputabilidade ou da imputabilidade reduzida.

Na próxima sessão, marcada para 23 de setembro, o tribunal vai ouvir o perito que fez aquele exame.