Um manuscrito inédito do escritor Teixeira de Pascoaes está a gerar alguma polémica na cidade do poeta, Amarante, segundo o jornal «Público». Tudo porque o anterior presidente da Câmara Municipal, Armindo Abreu, mandou entregar à afilhada do escritor, Adelaide Teixeira, vários manuscritos de Pascoaes, incluindo o inédito «Cartas a Uma Poetisa», que alegadamente fazem parte do espólio adquirido pela Câmara à família do autor, em 2013.

A decisão do ex-presidente foi tomada há mais de um ano, mas só foi concretizada no mandato do atual  presidente de Câmara, o social-democrata  José Luís Gaspar, que entrou em funções em outubro de 2013 e que deu cumprimento ao despacho assinado pelo seu antecessor. 

O caso só foi tornado público recentemente, num programa de rádio local, e está a gerar grande controvérsia em Amarante. Há quem critique a decisão de Armindo Abreu, que, segundo o jornal «Público» foi advogado da afilhada do escritor antes mesmo de se ter tornado presidente de Câmara, em 1995, e exija explicações.

O coronel e amigo da família do escritor, João Sardoeira, e o centrista Fernando Moura Lopes acusam o antigo presidente da Câmara de ter entregado parte do espólio da autarquia, comprado à família de Pascoaes por 420 mil euros, sem ter dado conhecimento disso à vereação e exigem uma clarificação. Além disso, Sardoeira acusa o ex-autarca de não ter salvaguardado uma cópia do manuscrito, temendo o futuro do mesmo.

Armindo Abreu, por sua vez, considera que apenas respeitou a memória do escritor, expressa em testamento, e considera que, desta forma, a obra poderá ser finalmente publicada. Além disso, afirma que a Câmara não poderia ter comprado algo que não era da família do autor. Segundo Armindo Abreu, quando os funcionários fizeram o inventário do espólio os manuscritos em causa não apareceram e só foram encontrados quando foram buscar as obras.

O poeta Teixeira de Pascoaes deixou à afilhada Adelaide Teixeira, filha do empregado, várias propriedades e obras literárias, onde se incluía este «Cartas a Uma Poetisa». A afilhada terá reclamado a entrega destas obras, que estiveram na posse da família antes de serem compradas pela Câmara, mas nunca levou a questão a tribunal.