O presidente da Câmara de Marvão assumiu, nesta terça-feira, que pondera desistir da candidatura a Património Mundial, face à contestação da oposição e na Internet.

«Nós queremos continuar com a candidatura, contudo apercebemo-nos que temos tido alguma contestação por parte da oposição e na blogosfera, onde se discutem assuntos relacionados com Marvão», afirmou Vítor Frutuoso, em declarações à Agência Lusa.

O autarca eleito pelo PSD, partido que detém a maioria no executivo e na assembleia municipal, anunciou, por isso, que a autarquia vai desenvolver um conjunto de reuniões com a população para «auscultar» a sua opinião sobre o tema.

«Achamos que seria de bom senso clarificar junto das pessoas quanto é que se gastou até ao momento com este processo, que benefícios vai trazer a Marvão e por isso vamos fazer uma consulta pública normal. Na realidade, investimos com esta segunda candidatura cerca de 50 mil euros», acrescentou.

Vítor Frutuoso adiantou que espera também «ouvir», nesta fase, os empresários da região, nomeadamente os operadores turísticos.

O município de Marvão lançou em 1996 uma candidatura a Património da Humanidade, pela Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura (UNESCO), mas acabou por retirá-la em 2006, na sequência de um parecer negativo, para evitar que fosse anulada.

Em fevereiro de 2011, o município alentejano deu início a um novo processo, com a coordenação de Ray Bondin, embaixador de Malta na UNESCO e presidente do Comité Internacional das Cidades Históricas (CIVVIH), organismo integrado no Conselho Mundial de Monumentos e Sítios (ICOMOS).

Conquistada aos Mouros por D. Afonso Henriques, Marvão recebeu o primeiro foral, concedido por D. Sancho II, em 1226. A sua importância como centro militar foi testada nos séculos XII e XIII e mais tarde serviu de "sentinela" atenta às disputas territoriais com Castela.

Do seu património cultural consta, entre outros, o castelo (Monumento Nacional), uma importante e imponente obra da arquitetura militar, cuja atual configuração remonta, em grande parte, ao reinado de D. Dinis.