A Federação Nacional dos Professores (Fenprof) disse, esta sexta-feira, não reconhecer credibilidade ao Instituto de Avaliação Educativa (IAVE) para analisar os erros dos professores na prova de avaliação, lembrando que no passado o instituto «impos procedimentos irregulares» aos docentes.

«Para nós, o IAVE não é entidade credível para que não possamos colocar em dúvida o que afirma. O comportamento dos responsáveis do IAVE em momentos de exames ou outras provas - exames do secundário em 2013, exames de inglês ao serviço da empresa Cambridge ou a realização da PACC, tanto em dezembro como em julho -, designadamente impondo procedimentos irregulares, dando cobertura a situações contrárias aos normativos e até repreendendo os professores que recusaram submeter-se às suas ordens, é revelador do que são capazes os seus responsáveis», refere uma declaração, por escrito, do secretário-geral da Fenprof, Mário Nogueira, enviada às redações.

Em causa está um comunicado divulgado pelo IAVE na quinta-feira, no qual este organismo referia que apenas 10% dos erros ortográficos dados pelos professores na prova de avaliação resultavam do «incumprimento do acordo ortográfico», percentagem que, para o instituto, é «residual e sem expressividade na totalidade de ocorrências».

No estudo que fez, o IAVE concluiu que «90% dos erros estão relacionados com os seguintes aspetos da ortografia: uso incorreto da acentuação (cerca de metade do valor total), troca de vogais, troca de consoantes ou uso incorreto de consoantes, aplicação incorreta do plural e registo incorreto de formas e de conjugações verbais», referia o comunicado divulgado na quinta-feira.

O mesmo documento sublinhava que apenas 10% dos erros decorrem da não aplicação do novo acordo ortográfico, «não obstante os candidatos terem tido acesso à informação-prova onde era clara a natureza obrigatória do respeito pelo acordo em vigor».

Considerando que os erros ortográficos «não são admissíveis, sejam dados por professores, constem dos rodapés dos serviços noticiosos de televisão» ou que haja um ministro da Educação que diga «interviu» e não «interveio», a Fenprof sublinha que falta saber se os erros decorrentes da não aplicação do acordo ortográfico representam ou não os erros da maioria dos candidatos, lê-se na declaração de Mário Nogueira.

O dirigente da Fenprof gostava ainda de saber se os professores que foram aprovados dão ou não erros ortográficos, que tipo de erros e se estes decorrem do novo acordo.

O que vai fazer o Ministério da Educação e Ciência para corrigir este problema e quantos professores foram reprovados «por não responderem corretamente às questões absurdas que foram colocadas» sem terem dado qualquer erro são outras questões que a Fenprof também pretende ver respondidas.

No documento, a federação reitera que o Ministério da Educação e Ciência «usa esta prova para "caçar" professores, fugindo, assim, a confrontar-se com as instituições que fazem a sua formação».

E invoca a existência de instituições de ensino superior que recusam a utilização do novo acordo, exigindo que os alunos escrevam com as regras anteriores e, chegados ao sistema, são submetidos a uma prova onde são obrigados a usar o novo acordo.

«A PACC está a cumprir a sua missão. É para isso que serve, para poder denegrir a imagem dos professores, achincalhá-los publicamente e, dessa forma, contribuir para a desvalorização da sua imagem social», refere ainda a Fenprof.