O secretário-geral da Fenprof, Mário Nogueira, responsabilizou hoje o Governo pelos problemas no arranque do ano escolar e apelou ao voto dos professores nas próximas eleições, para mudar a política educativa.

Segundo Mário Nogueira, as legislativas de 04 de outubro são uma oportunidade para “alterar profundamente” as políticas em Portugal, designadamente na área da educação, com a participação dos portugueses e dos professores no ato eleitoral.

O líder da Federação Nacional dos Professores (Fenprof) falava no exterior da Escola Básica 2.3 Alice Gouveia, em Coimbra, numa conferência de imprensa em que tomou “posição sobre as condições em que se inicia o ano escolar” 2015-2016.

“Apelo para que os professores não se distraiam e não se deixem levar pela conversa da abstenção”, disse, defendendo que importa “começar a olhar para a educação” em Portugal “de outra maneira”.


O ano letivo que agora começa “está muito marcado pelas eleições”, após quatro anos de vigência do Governo liderado por Pedro Passos Coelho, com Nuno Crato como ministro da Educação e Ciência.

“Era suposto que o Ministério da Educação tivesse aprendido ao fim de quatro anos”, afirmou o sindicalista, ao salientar que “o número de professores por colocar é ainda muito elevado” e que se repetem “os problemas crónicos do início de cada ano escolar”, no passado recente.


Há ainda 2.132 “horários que sobraram”, ficando “a ideia de que os professores não queriam concorrer para esses horários”, o que foi negado por Mário Nogueira.

“As 300 escolas que lançaram bolsas de contratação receberam 2,3 milhões de candidaturas, mas cada candidato só vai ficar numa escola”, adiantou.


O secretário-geral da Fenprof lamentou que o Ministério da Educação “insista na colocação através da bolsa” de escola, num “misto de colocação” que inclui os concursos a nível nacional, a bolsa de escola e os horários de mobilidade especial.

A bolsa de contratação “é um mecanismo que gera injustiças e atrasa três semanas a satisfação das necessidades” das escolas.

Mário Nogueira disse aos jornalistas que existem 1.149 docentes com horário zero e que “a maioria dificilmente será colocada”, estando dois terços deles “concentrados no norte” de Portugal.

“O desemprego em professores com profissionalização ultrapassa os 30 mil”, o que representa “um desperdício de recursos humanos”, a par de “um envelhecimento da profissão”.

Outros dos problemas criticados foram o que Nogueira classificou como “municipalização e privatização” da educação, com o atual executivo “a condicionar já o Governo que vem a seguir”, após as eleições de outubro.