O secretário-geral da Federação Nacional de Professores (Fenprof), Mário Nogueira, afirmou esta quinta-feira, em Coimbra, que abril «caminha para um março cinzento» em vez de «um maio colorido», considerando que a democracia está doente e «com diagnóstico reservado».

O secretário-geral da Fenprof mostrou-se preocupado com «o estado de deterioração do 25 de abril», sublinhando que se está a assistir a um «retrocesso» das conquistas da Revolução dos Cravos.

Referindo-se aos três D do programa do Movimento das Forças Armadas (democratizar, descolonizar, desenvolver), Mário Nogueira disse que a democratização «não é empobrecer, não é expulsar jovens do país nem passa por se retirarem serviços públicos de qualidade».

«É também hoje necessária uma descolonização ao contrário», por Portugal se transformar numa «colónia do FMI [Fundo Monetário Internacional] e União Europeia», constatou, criticando também o próprio desenvolvimento do país, em que «a educação tem um papel fundamental» e em que se observam «graves cortes e recuos na escola inclusiva».

A escola é hoje «orientada para exames, os programas curriculares estão empobrecidos e afunilados para ler, escrever e contar e há mais alunos por turma», disse, durante a apresentação das comemorações do 40.º aniversário da Revolução de abril que a Fenprof dinamiza.

Mário Nogueira acrescentou ainda que há «gente que quer um ajuste de contas com abril», realçando que a reforma do Estado, cujas linhas gerais deverão ser apresentadas até ao final do mês, «é o desmantelamento do Estado Social».

Para «não deixar morrer abril», a Fenprof irá dinamizar diversas iniciativas nas escolas, a nível nacional, informou.

No decorrer das comemorações, serão distribuídos pelos agrupamentos de escolas e pelas escolas não agrupadas cerca de 20 mil exemplares de um jornal intitulado «Diário da Liberdade», onde estarão presentes na capa e contracapa «notícias de como seria o abril de 1974 se acontecesse em 2014», explicou Luís Lobo, do departamento de informação da Fenprof.

Entre as notícias fictícias, pode-se ler «jovens emigrantes regressam a Portugal» ou «governantes co-responsabilizados pelo retrocesso forçado terão solicitado asilo político na Alemanha».

Dentro do jornal, estão também as primeiras páginas de jornais a 25 de abril de 1974, assim como uma seleção de desenhos cortados pela censura em 1969 da autoria de João Abel Manta.

Também será distribuído pelos agrupamentos de escolas um painel alusivo à História de Portugal até ao 25 de abril, criado na altura da comemoração dos 25 anos da revolução.

Luís Lobo referiu ainda que estará disponível uma exposição, com oito exemplares por região, criada pela União de Resistentes Antifascistas Portugueses (URAP), havendo a possibilidade de membros da URAP participarem em debates e outras iniciativas nas escolas interessadas.

Também nas comemorações por parte da Fenprof do 25 de abril, será disponibilizada às escolas a banda desenhada «A História do 1.º de Maio», criada por antigos membros da federação sindical.