A Fenprof defendeu esta segunda-feira que o resultado do concurso nacional de colocação de professores, «é catastrófico», considerando que o processo «foi uma farsa» e acusando o Ministério da Educação de ser a principal «agência de desemprego docente».

Em comunicado, a Federação Nacional de Professores (Fenprof) afirmou que os resultados do concurso hoje conhecidos «não servem as necessidades das escolas e dos professores», mas sim as do Ministério, que acusam de, ao longo dos últimos dois anos, se ter «dedicado a tomar medidas para destruir o emprego docente».

A Fenprof sublinha que apenas três professores conseguiram colocação nos quadros do Ministério da Educação e Ciência (MEC), entre mais de 45 mil contratados e desempregados que se candidataram, e que 98,5% dos docentes em Quadro de Zona Pedagógica (professores que têm uma determinada zona geográfica para serem colocados) não conseguiram uma colocação em quadros de escola ou quadros de agrupamentos de escolas.

«Perante esta situação, a Fenprof reafirma o fracasso da política educativa deste governo que, desperdiçando recursos devidamente qualificados e em que o Estado português investiu, opta por garantir uma oferta insuficiente para as necessidades e até para a procura de alguns cursos que ou não são autorizados ou são engolidos pela sofreguidão dos estabelecimentos de ensino privado», lê-se no comunicado da federação sindical.

«Colégios que, pelo que muitos diretores de escolas públicas têm denunciado, poderão estar a garantir, no maior secretismo, a atribuição de mais turmas e mais cursos para o próximo ano letivo», acrescenta-se no documento a que a Lusa teve acesso.

A Fenprof entende mesmo que há «uma deliberada política orientada para extinguir postos de trabalho», com objetivos de reduzir despesa e de retirar meios de resposta ao ensino público, para favorecer os sistemas privados.

«A Fenprof não deixará de confrontar o MEC/Governo com os resultados agora conhecidos, e aprofundará a luta contra as políticas que produzem tais resultados», concluiu a federação, no comunicado divulgado e que a Lusa teve acesso.

A Direção-Geral da Administração Escolar anunciou esta segunda-feira a colocação de 1.344 profissionais no Concurso Nacional Interno e Externo para as vagas disponíveis para educadores de infância e professores dos ensinos básico e secundário, para 75.401 candidaturas.

Foram disponibilizadas 618 vagas e encerradas 253 «vagas negativas» (lugares indicados pelas escolas como a encerrar caso haja saída de professores daquele grupo), refere uma informação do Ministério da Educação, acrescentando que mudaram de escola 1.147 professores de quadros de agrupamento de escolas e escolas não-agrupadas (QA/QE).

Por outro lado, 188 docentes de Quadro de Zona Pedagógica (QZP) passaram a QA/QE, seis professores em licença sem vencimento de longa duração obtiveram vaga e três docentes, até então não pertencentes aos quadros do Ministério da Educação e Ciência, obtiveram igualmente vaga no quadro de escola ou quadro de agrupamento de escolas.