O bastonário da ordem dos advogados de Portugal, António Marinho e Pinto, afirmou hoje que os tribunais em Portugal e na Europa «não servem os cidadãos e protegem alguns grupos instalados».

Marinho e Pinto, que se encontra em São Tomé a convite da Ordem de Advogados de São Tomé e Príncipe, fez estas declarações durante uma conversa, terça-feira à noite, dirigida aos académicos das universidades são-tomenses.

Durante o encontro, António Marinho e Pinto afirmou que os tribunais portugueses não acompanharam o desenvolvimento cultural e politico.

«Em muitos aspetos a economia está paralisada porque os tribunais não respondem adequadamente as necessidades da economia. As empresas não podem cobrar os seus créditos em tempo útil nos tribunais», explicou.

No segundo dia de um ciclo de conferências em São Tomé e Príncipe, o bastonário reuniu-se com académicos no centro cultural português na capital são-tomense.

Defendeu, por outro lado, o fim da corrupção na administração da justiça em Portugal e na Europa.

Em Portugal, o sistema «está organizado mais para servir as comodidades e os privilégios de quem trabalha dentro dos tribunais do que para servir as necessidades e os direitos dos cidadãos que têm que ir a tribunal», afirmou o bastonário português.

No final da conversa, os estudantes disseram ter ficado com uma ideia mais clara do funcionamento da justiça, que consideram ser semelhante a de São Tomé e Príncipe.

«Ele fez um retrato fiel daquilo que é a impressão de um cidadão do estado da justiça em Portugal e em São Tomé e Príncipe e Portugal as coisas estão ao mesmo nível», disse Eugénio Graça, estudante de segundo ano de direito do Instituto Superior Politécnico.

O papel dos advogados na defesa e direitos e garantias dos cidadãos foi tema da conferência que levou a São Tomé e Príncipe o bastonário da Ordem de Advogados de Portugal, que hoje à noite estará em direto no programa da televisão são-tomense «Cartas na Mesa», da jornalista São Lima.