
O bastonário dos advogados, António Marinho e Pinto, manifestou hoje, no Porto, arrependimento pelos elogios que fez à atual ministra da Justiça e acusou-a de ignorar o «regabofe de criminalidade» no âmbito da solicitadoria de execução.
«Já elogiei muitas pessoas e depois arrependi-me. De facto, elogiei-a, até éramos amigos. Tinha uma opinião, que mudei quando ela começou a exercer o poder. Há certas pessoas a quem o poder sobe à cabeça», justificou, citado pela Lusa.
Falando para meio milhar de docentes e alunos da Universidade Lusíada, no Porto, Marinho e Pinto admitiu que uma das razões que o levou a mudar de opinião sobre Paula Teixeira da Cruz foi o facto de a ministra ter ordenado uma auditoria ao apoio judiciário, «para enxovalhar os advogados», e alegadamente ter ignorado os «roubos de milhões e milhões de euros» que disse terem sido praticados por solicitadores de execução.
«Era um regabofe de criminalidade e a senhora ministra não quis fazer nenhuma auditoria. Foi atacar, numa auditoria, o apoio judiciário, por questões internas da Ordem», afirmou.
Isto porque, como afiançou, a ministra «é contra o que ela própria chama "os descamisados da advocacia", aqueles que a derrotaram em 2004, quando ela quis candidatar-se à Ordem dos Advogados».
Durante a iniciativa, Marinho e Pinto foi confrontado, às vezes de forma crispada, com várias críticas à forma como a Ordem está a conduzir os exames de acesso à advocacia e, a dada altura, chegou mesmo a ameaçar abandonar o auditório onde falava.
«Se é possível falar para um auditório democrático, é. Se não é, vou-me embora e não me chamem para cá vir», observou agastado, após ouvir críticas da plateia às suas justificações para apertar os critérios de admissão à profissão.
«O mercado acabará, mais cedo ou mais tarde, por excluir os maus advogados em benefício dos bons, mas só o vai fazer depois de eles assaltarem muita gente. Temos muitos advogados na cadeia, temos outros fugidos à cadeia», afirmava Marinho e Pinto, no momento em que se ouviu alguém comentar: «Isso é do seu tempo».
Ainda em resposta a críticas, o bastonário rejeitou que tenha dado instruções de quaisquer tipo aos profissionais da ordem envolvidos nos exames de admissão à profissão.
«Tenho recebido dezenas de cunhas, se calhar centenas, todas tem o mesmo destino: o caixote do lixo», disse. «Enquanto for bastonário, a ordem não venderá cédulas profissionais», acrescentou Marinho e Pinto.