A Associação de Sargentos afirmou esta sexta-feira que a Marinha prometera resolver os atrasos na publicação das listas ordenadas dos primeiros-sargentos até final de 2008, o que não aconteceu, pelo que actualmente «milhares de militares» não recebem os vencimentos na totalidade, noticia a Lusa.

Numa manifestação em frente ao Ministério da Defesa, o presidente da Associação Nacional de Sargentos, Lima Coelho, lamentou à agência Lusa que, para ver «prontidão nas respostas, seja preciso fazer manifestações».

«Tudo isto é lamentável, para ver prontidão nas respostas é preciso chegar a isto, para ter resposta a uma situação que já vem desde 2007», criticou António Lima Coelho.

Em seguida, o presidente da Associação quis responder à Marinha que, segunda-feira, reconheceu os «atrasos» e afirmou já ter comunicado à ANS que esta situação estaria resolvida até «meados de Março».

«Eu congratulo-me que a situação já esteja a ser resolvida mas lamento que tenham passado dois anos para resolverem uma matéria que está na lei desde 1997», referiu Lima Coelho.

«Não estamos é para fazer de conta que isto foi resolvido»

Sobre o facto de já ter sido informado sobre a resolução do problema, o sargento Lima Coelho frisou que «nunca houve nenhuma resposta formal» e que a Associação tem actualmente «vários pedidos de audiência que nunca foram respondidos».

«No final do ano passado, fomos avisados pelo gabinete do chefe de Estado-Maior da Armada que esta situação só seria resolvida posteriormente, porque o almirante Melo Gomes não contava ser reconduzido, entretanto já foi e continuamos sem resposta», explicou.

«Não é da nossa parte que não há abertura para dialogar, agora não estamos é para fazer de conta que isto foi resolvido», disse o militar da Força Aérea.

Num comunicado enviado esta quinta-feira, a Associação acrescenta que o atraso «é uma prática corrente dos serviços administrativos da Marinha» e que «a última publicação de listas remonta a 2007 e chegou com quase três anos de atraso, tendo por isso sido pagos cerca de 10 milhões de euros em retroactivos aos militares, verba que se constituía como vencimentos parcialmente em atraso».

«Milhões de euros ilegalmente retidos»

«Até ao momento, não recebeu a direcção da Associação qualquer contacto oficial da parte do Ministério da Defesa, da Armada ou do Exército para convocação de reunião formal onde oficialmente sejam dadas garantias de resolução dos problemas», adianta a Associação Nacional de Sargentos.

Segundo a Associação militar, o atraso na publicação das listas pela Marinha faz com que estas «não estejam a ser enviadas aos restantes ramos, estendendo-se a dívida aos primeiros-sargentos do Exército e da Força Aérea», o que faz com que «milhares de militares não recebam o seu vencimento na totalidade», havendo já «vários milhões de euros ilegalmente retidos nos cofres do Estado».

Os sargentos acusam ainda o Exército de estar «a cometer uma ilegalidade ao retirar o diferencial aos militares que transitam para a situação de reserva, alegando que perdem esse direito, o que é falso».

Entretanto, Marinha e Ministério asseguraram à Lusa que a situação estaria resolvida nas próximas semanas.