Ao fim de cinco meses em missão de combate à pirataria no oceano Índico, a fragata Álvares Cabral e a sua guarnição de 187 militares chegaram esta quarta-feira ao Alfeite, ao som da música da banda da Armada.

À boleia desde Pedrouços seguiam também a bordo a secretária de Estado Adjunta e da Defesa, Berta Cabral, o chefe do Estado-Maior-General das Forças Armadas, general Luís Araújo, e o chefe do Estado-Maior da Armada, almirante Saldanha Lopes, numa presença simbólica que serviu para assinalar o «prestígio e orgulho» de Portugal no cumprimento de mais uma missão internacional.

A fragata da Marinha Portuguesa liderou desde o início de abril a Operação Atalanta, que pretende assegurar a proteção dos navios do Programa Alimentar Mundial das Nações Unidas e, simultaneamente, combater a pirataria no Mar Vermelho, Golfo de Áden, Golfo de Omã e em toda a Bacia da Somália, incluindo a parte norte do Canal de Moçambique.

«Temos de continuar a cumprir estas missões internacionais», defendeu a secretária de Estado da Defesa, em declarações aos jornalistas a bordo da fragata Álvares Cabral, pouco antes de o navio ter atracado no base do Alfeite.

Sem se comprometer com o prolongamento da participação de Portugal na Operação Atlanta, Berta Cabral disse apenas que o país «continuará a desempenhar as suas funções e ponderará certamente do ponto de vista operacional o futuro desta operação».

Questionada se existe verba para esse prolongamento, a secretária de Estado adiantou apenas que a verba prevista no próximo Orçamento para as forças nacionais destacadas «está ao mesmo nível dos anos anteriores».

O êxito da missão foi igualmente destacado pelo comandante Jorge Novo Palma, o oficial português que comandou a missão da EU NAVFOR (força naval da União Europeia) no terreno, que sublinhou a inexistência de qualquer ataque de piratas nos quatro meses que durou a missão.

O comandante confessou, contudo, que inicialmente esta foi uma missão encarada com «incerteza», um sentimento que se combateu com «planeamento e com uma observação muito rigorosa da situação no terreno».

«Mantivemos uma pressão constante e garantimos a escolta dos navios do programa alimentar mundial garantindo a chegada de 21 mil toneladas de alimentos à Somália», acrescentou.

Além das condições muito duras do clima, com alturas em que o termómetro chegou aos 50º, as saudades foram outra das grandes adversidades sentidas pelos militares que partiram de Portugal a 21 de março.

Porém, para o chefe de serviços de comunicações, Bruno Cortes Banha, as saudades desta vez foram sentidas de forma particularmente dura, pois ao fim de um mês de sair de Portugal nasceu o seu segundo filho, o Henrique.

A notícia foi recebida pela internet, com um misto de «ansiedade e felicidade».

Ao final desta manhã, depois da fragata Álvares Cabral ter atracado na base do Alfeite, Bruno Cortes Banha conseguiu finalmente conhecer o filho «ao vivo e a cores», que o esperava ao colo da mãe.

«Quando o conheci ele já era marinheiro, por isso tenho de aguentar estas coisas», disse Carla Banha, sorridente.