A escritora e poetisa Maria Teresa Horta disse que Portugal perdeu um grande poeta e um defensor da língua portuguesa, com a morte de Vasco Graça Moura.

«Portugal perde um grande poeta, um defensor da língua portuguesa. O Vasco foi dos grandes defensores da pureza da linguagem contra esta mudança que se pretende, este terrível atentado contra a língua portuguesa que é o acordo ortográfico», disse.

Em declarações à Lusa, a escritora lamentou a morte do seu amigo, afirmando que «os poetas não deviam morrer».

Sobre o seu percurso político, Maria Teresa Horta disse que sempre considerou «inexplicável que um homem como o Vasco fosse de direita».

«Para mim era contranatura», acrescentou.

Também o poeta, tradutor e antigo administrador da Gulbenkian, Pedro Tamen, transmitiu admiração por Vasco Graça Moura, como homem e como artista, e recordou a sua «luta» contra «a aberração que é o acordo ortográfico».

«É uma tristíssima notícia, embora esperada [pois] sabia que ele estava gravemente doente. Eu admirava-o muito como figura, mas também como pessoa, como homem e como artista, sem dúvida alguma», disse à agência Lusa Pedro Tamen.

O autor de «Principio de sol», que dirigiu a antiga Moraes Editores, recordou o trabalho de apresentação do primeiro livro de poesia de Graça Moura, em 1962/63, que fez para um jornal, realçando que, a partir desse momento, se iniciou «alguma convivência, nunca muito próxima durante muito tempo, mas que se estreitou ao longo da vida».

Pedro Tamen salientou a capacidade de Vasco Graça Moura de, «ao mesmo tempo que mantinha as suas posições políticas e sociais, criar à sua volta um unânime sentimento de admiração pelas suas qualidades humanas, como criador e como tradutor».

O autor de «O Guião de Caronte» apontou a luta de Graça Moura, «infelizmente inglória até agora, contra a aberração que é o acordo ortográfico», como um exemplo das suas «qualidades de verticalidade e capacidade para enfrentar, para distinguir as posições que assumia em vários campos».

Neste contexto, lembrou que, quando assumiu funções no Centro Cultural de Belém, Vasco Graça Moura declarou que «o português era o português de antes do acordo ortográfico».