O quadro "Intrusion", da pintora portuguesa Maria Helena Vieira da Silva, foi vendido, nesta quinta-feira, em leilão da Sotheby's, em Paris, por 162.500 euros, enquanto "Fête" foi arrematado por 175.000 euros.

"Intrusion" tinha uma estimativa de 70 mil a 100 mil euros, tendo sido vendido muito acima, enquanto "Fête", que tinha a maior estimativa, de 200 a 300 mil euros, acabou por ser vendido abaixo do previsto.

"Intrusion" é uma pintura de têmpera em papel de 1971, com uma dimensão de 92 centímetros por 63,5 centímetros, que pertencia a um colecionador privado, que o adquiriu à galeria da artista, em Paris, a Jeanne Bucher.

"Fête" é um óleo sobre tela datado de 1965, que foi apresentado a leilão por um colecionador particular que o adquiriu à galeria Daniel Varenne, de Paris, por volta de 1974, segundo a leiloeira. Tem uma dimensão de 65 centímetros por 81 centímetros e foi originalmente colocado pela pintora na galeria Knoedler, de Nova Iorque, em 1966.

Na quarta-feira, também num leilão na Sotheby's, o quadro de Maria Helena Vieira da Silva "Red Houses" atingiu 175 mil euros, ultrapassando o valor máximo da estimativa de 150 mil euros.

No passado mês de março, o óleo de Vieira da Silva "L'Incendie" atingiu um valor recorde de 2,29 milhões de euros num leilão da Christie's, em Londres.

Trata-se de um dos quadros emblemáticos da artista, feito em 1944, durante o exílio no Brasil, que fez parte da coleção de Jorge de Brito.

Nascida em Lisboa, em 1908, Vieira da Silva mudou-se para a capital francesa quando tinha 19 anos, para poder estudar durante uma época de grande atividade artística, tendo acabado por se instalar na cidade, onde morreu em 1992.

No final de maio, a Direção-Geral do Património Cultural publicou em Diário da República um anúncio relativo à proposta de classificação de interesse público da pintura "Les bicycletes ou Les Cycles", de Vieira da Silva, datada de 1951, na posse de um colecionador privado.

No ano passado, o Estado português pagou 5,55 milhões de euros por seis quadros de Vieira da Silva aos herdeiros do colecionador e empresário Jorge de Brito (1928-2006), proprietários das obras, com quem estava em negociações desde 2016.

As seis pinturas em causa - "Novembre" (1958), "La Mer" (1961), "Au fur et à mesure" (1965), "L’Esplanade" (1967), "New Amsterdam I" e "New Amsterdam II" (1970) - estão expostas no Museu Arpad Szènes - Vieira da Silva, em Lisboa.