Os ex-ministros da Educação Maria de Lurdes Rodrigues e David Justino defenderam esta quarta-feira que critérios de seleção de professores como «nota» e «anos de carreira» são o «grau zero da inteligência», estão «desregulados» e levam à «batota».

Em Braga, numa conferência na Universidade do Minho dedicada à educação, inserida na comemoração dos 40 anos da academia minhota, a titular da pasta da educação do Governo de José Sócrates apelou às universidades que se organizem e criem uma «espécie de prova final» nos cursos de docência, de forma a colocar todos os alunos numa «plataforma de igualdade».

Também sobre o Ensino Superior em Portugal, o ex-ministro de Durão Barroso afirmou que se andam a «desperdiçar» recursos em cursos sem empregabilidade e que há uma «desadequação» entre oferta, procura e oportunidades.

«Quando se institui como critérios de base para recrutar a nota de curso e tempo de carreira, isto é o grau zero da inteligência no recrutamento», referiu Maria de Lurdes Rodrigues

Para a ex-ministra de Sócrates, «ter mais anos de profissão faz toda a diferença» e «deve ser considerado mas de forma significativa», ou seja «os anos passados a dar aulas e não tempo de calendário».

Como exemplo, apontou o de «um conhecido sindicalista» que «chegou ao décimo escalão da profissão com três anos de docência apenas».

Maria de Lurdes Rodrigues referiu ainda a necessidade de colocar todos os alunos no mesmo patamar, deixando um apelo às instituições de Ensino Superior.

«É preciso criar um mecanismo que, no fim de cursos, coloque todos numa plataforma de igualdade e deviam ser as universidades a cuidar disso, uma espécie de prova final. Era um contributo para resolver um problema importante no país», argumentou.

No mesmo sentido, aludindo a um relatório do Ministério da Educação que aponta que a maior parte dos professores contratados são provenientes das universidades privadas, David Justino criticou também o atual mecanismo de seleção de docentes.

«Há uma completa desregulação do fenómeno de recrutamento e, havendo essa desregulação, safa-se quem fizer batota, nomeadamente com as classificações. Quem quiser enfrentar este fenómeno a sério, isto vai ser um problema. Já é um problema para o sistema educativo», realçou.

Justino falou também do Ensino Superior apontando que há uma «triangulação» que tem que ser resolvida.

«O problema é que andamos a desperdiçar recursos em cursos que estão a produzir licenciados diretamente para o desemprego e o Estado não faz nada quando outras instituições que até têm níveis de empregabilidade altos não tem verbas», disse.

Segundo o ex-ministro e atual presidente do Conselho Nacional de Educação, este «é um problema de desadequação entre a oferta, procura e oportunidades» no sistema.

«É esta triangulação que não esta resolvida», concluiu David Justino.