O Governo negou esta quarta-feira que o ministro da Defesa tenha pedido ou sugerido sequer a demissão do general Carlos Jerónimo da chefia do exército na sequência do caso da alegada discriminação de alunos homossexuais no Colégio Militar.

É falso que o ministro tenha alguma vez desautorizado o Chefe do Estado-Maior do Exército (CEME)”, acentuou o secretário de Estado da Defesa, Marcos Perestrello, na abertura do Fórum TSF dedicado ao tema.

Marcos Perestrello considerou que a demissão do CEME na sequência de uma entrevista do subdiretor do Colégio Militar, tenente-coronel António Grilo, sobre discriminação de alunos face a situações de afetos, alegadamente homossexuais, foi “uma decisão do próprio”.

Não é uma situação que tenha sido sequer sugerida”, assegurou o membro do governo, para quem este caso traduz “uma tempestade num copo de água” e “uma sucessão de mal-entendidos”.

O que o ministro fez “foi pedir informação ao CEME sobre o que tencionava fazer relativamente a uma situação que foi pública”, sustentou.

O secretário de Estado alegou que o caso da demissão do CEME tem sido tratado pelos media com “alguma falta de rigor na descrição dos factos”, desde logo porque o ministro da Defesa “nunca fez declarações públicas” sobre a situação no Colégio Militar.

O ministro da Defesa nunca exigiu demissão nenhuma a ninguém… Aquilo que o gabinete fez foi dar conta de uma carta” ou de uma “conversa” entre a tutela e o general Carlos Jerónimo sobre as notícias de situações de alegada discriminação de alunos homossexuais no Colégio Militar.

Segundo Marcos Perestrello, face às notícias vindas a público, “é normal que o ministro pergunte ao responsável do colégio o que tenciona fazer”.

O secretário de Estado reforçou mesmo que o ministro não só não interferiu na atividade do Colégio Militar como “muito menos fez exigências públicas ao Exército”.

Questionado sobre se este caso fragiliza o Governo, Marcos Perestrello respondeu: “Aquilo que eu vos posso dizer é que ‘aquilo que não nos mata, torna-nos mais fortes”.

Oficiais das Forças Armadas acusam ministro de ingerência

A polémica entre o chefe do Estado-Maior do Exército e o ministro da Defesa, deixou os oficiais ao lado do General Carlos Jerónimo.

O presidente da Associação dos Oficiais das Forças Armadas, Manuel Pereira Cracel, assume na TSF, o descontentamento dos meios militares, em relação ao que consideram ser uma ingerência do ministro em competência que entendem ser das chefias militares.

Pereira Cracel admite ainda que várias pessoas tenham já pedido a demissão do ministro da Defesa, mas são posições a título individual.

Numa reportagem publicada pelo jornal ‘online’ Observador, o subdiretor do Colégio Militar, tenente-coronel António Grilo, afirmou: "Nas situações de afetos [homossexuais], obviamente não podemos fazer transferência de escola. Falamos com o encarregado de educação para que perceba que o filho acabou de perder espaço de convivência interna e a partir daí vai ter grandes dificuldades de relacionamento com os pares. Porque é o que se verifica. São excluídos".

Ouvido pelo DN, na sequência destas afirmações, o Ministério da Defesa fez saber que pediu explicações ao CEME e considerou “absolutamente inaceitável qualquer situação de discriminação, seja por questões de orientação sexual ou quaisquer outras, conforme determinam a Constituição e a Lei".

Na semana passada, o ministro da Defesa Nacional, Azeredo Lopes, anunciou que tinha iniciado os procedimentos adequados visando a substituição do general Carlos Jerónimo, que pediu a exoneração do cargo de Chefe do Estado-Maior do Exército.