O deputado do PS Fernando Jesus acusou hoje o Governo de estar a seguir uma agenda eleitoral, ao prometer para 2015 a conclusão das obras na Escola Secundária do Marco de Canaveses, suspensas desde 2012.

«Andamos aqui a brincar com jovens e crianças que deviam estar com aulas em condições dignas, à custa de um calendário eleitoral», afirmou o deputado, em declarações à agência Lusa.

Fernando Jesus, acompanhado de António Leite, ex-diretor da Direção Regional de Educação do Norte (DREN), visitou hoje aquela escola, onde as obras de requalificação estão suspensas desde dezembro de 2012.

Na visita, o deputado disse ter constatado as condições «degradantes» da escola, avançando à Lusa haver salas de aulas «onde chove e faz frio».

O parlamentar socialista reuniu-se hoje com a direção do estabelecimento e com representantes dos encarregados de educação. Nesse encontro, disse ter sido informado de que as obras estariam concluídas no próximo ano, de acordo com informação do Governo transmitida recentemente aos representantes da comunidade escolar.

Para o deputado, o que se está a passar é «condenável e lamentável».

Fernando Jesus acusou também o Governo de não ter sido capaz de lidar com a situação do Marco de Canaveses, da mesma forma que resolveu outros casos idênticos no país, onde as obras em escolas também pararam por dificuldades do empreiteiro.

Negando que o problema da suspensão das obras tenha a ver com dificuldades de financiamento, o eleito socialista na Assembleia da República defendeu que uma verba de 14 milhões de euros estava prevista e bastava ao Governo ter substituído o empreiteiro responsável pela empreitada.

«Havia uma verba de 14 milhões de euros, da qual só foram gastos seis ou sete», exclamou, acrescentando: «Não é um problema de financiamento, é apenas de falta de capacidade do empreiteiro, que já devia ter sido substituído por outro, com a monitorização do ministério».

Insistindo nas críticas à tutela, recordou ter havido um despacho do ministro das Finanças, há mais de um ano, «que mandou suspender todos os trabalhos da Parque Escolar».

«Houve aqui uma agenda ideológica por detrás disto tudo, o que é perfeitamente condenável», apontou.

Fernando Jesus avançou à Lusa que o Grupo Parlamentar do PS vai exigir ao ministro da Educação que «explique com toda a clareza as razões desta atitude» no Marco de Canaveses, «em contraponto com outras que tiveram uma resolução diferente».

O parlamentar deu como exemplo o problema que também ocorreu no concelho vizinho de Baião, onde o empreiteiro foi substituído e as obras foram concluídas.