A empresa responsável pelo engenho pirotécnico que provocou, esta segunda-feira, a morte a um homem de 21 anos, no Marco de Canaveses, tinha licença para efetuar o lançamento, mas para um local diferente, avançou à Lusa fonte policial.

Segundo a GNR, a licença emitida destinava-se ao lançamento de fogo de tubos na zona da igreja de Constance, mas o incidente ocorreu no jardim de uma habitação do lugar do Ladário, a algumas centenas de metros.

Também segundo a autoridade policial, o rebentamento que provocou o incidente foi precedido de várias explosões de «balonas?, engenhos que substituíram recentemente os tradicionais foguetes de cana.

A Equipa de Inativação de Explosivos que se deslocou ao local encontrou três fileiras de tubos, duas das quais terão sido ativadas. O acidente, segundo a GNR, ocorreu com a terceira fileira. Os militares procederam à desativação e recolha dos engenhos restantes não ativados.

O inquérito policial ao incidente vai apurar as circunstâncias da ocorrência, nomeadamente se as duas vítimas eram colaboradores da empresa de pirotecnia que disponibilizou os engenhos explosivos.

Vítimas não integravam comitiva pascal

Entretanto, o pároco local indicou que as vítimas do rebentamento do foguete  afinal não faziam parte da equipa que fazia a visita pascal. A informação inicialmente avançada pela GNR era a contrária.

O padre Rodolfo Ferreira disse à Lusa que «nenhum dos elementos da equipa» do compasso fiscal sofreu qualquer ferimento.

O compasso pascal foi suspenso e não está decidido se será realizado mais tarde ou noutra data como o «domingo de pascoela». «Para já, o momento é de respeito pela dor e pelo luto», lamentou o pároco. 

O rebentamento de uma balona - engenho pirotécnicos lançados a partir de tubos e que substituem os tradicionais foguetes de cana – matou um jovem e feriu outro, durante a visita pascal no lugar de Ladário, freguesia de Constance, Marco de Canaveses.

O homem de 21 anos que morreu foi atingido pelo rebentamento de um tubo de fogo. «O tubo estava no chão e prestes a ser ativado quando o jovem meteu a cabeça à frente e foi atingido pelo fogo», explicou à Lusa o comandante Rui Pinto.

«Uma das vítimas encontrava-se decapitada devido ao ferimento provocado pela explosão», confirmou o comandante dos bombeiros de Marco de Canaveses à TVI24

No local do acidente encontrava-se outro homem, de 22 anos, que foi atingido «no peito e na cabeça» e foi transportado para o Centro Hospitalar do Tâmega-Sousa, acrescentou o comandante dos bombeiros.   

Segundo uma fonte do Hospital de Penafiel, o jovem sofreu várias escoriações e ferimentos no couro cabeludo, mas a situação «não é considerada grave». «O ferido também não sofreu queimaduras», cita a Lusa. 

Jovem que morreu estava credenciado para lançar foguetes 

O fogo estava a ser lançado para assinalar a visita pascal a uma casa no lugar de Ladário, em Constance. O lançamento teria sido encomendado pelos donos da casa a uma fábrica de pirotecnia do concelho. 

O jovem que atingido mortalmente pela balona pertencia a uma família de fogueteiros e estava «devidamente credenciado» para aquela atividade, segundo o 2.º comandante dos Bombeiros de Marco de Canaveses. À Lusa, Rui Vasconcelos disse que o jovem seria mesmo um dos principais «especialistas» da empresa no lançamento daquele tipo de fogo.

Entretanto, a GNR anunciou que está a investigar as causas do rebentamento, com uma equipa de minas e armadilhas. 

Os bombeiros deixaram entretanto um alerta sobre os perigos de lançamento de fogo durante a Páscoa