Professores colocados a muitos quilómetros de casa montaram esta quinta-feira uma vigília em frente ao Palácio de Belém, querendo alertar o Presidente para o que chamam de "vigarice" do Governo em relação a um número indeterminado de professores graduados.

A professora de Português Manuela Almeida disse à Lusa que os "Lesados de 25 de agosto" (dia em que foram divulgadas as listas de colocações) sofrem "repercussões incalculáveis" a nível pessoal e profissional da decisão do Governo de suprimir horários parciais nessa fase do concurso de colocação.

Sem serem colocados nesses horários, acabaram por ir para escolas a grandes distâncias, mesmo centenas de quilómetros, a que só concorreram formalmente, na certeza de que seriam colocados mais perto.

"Até hoje está por explicar" porque é que o Governo decidiu suprimir o que chama horários incompletos, com menos de 22 horas letivas, apesar de, salientou, os professores do quadro trabalharem sempre o mesmo, seja em aulas seja em outros projetos ou apoio aos alunos.

Muitas apostas de vários professores não se teriam estendido a tantos quilómetros de casa, era previsível que ficassem na mobilidade perto de casa.

Os professores acusam a secretária de Estado Alexandra Leitão e o ministro Tiago Rodrigues de "absolutismo e abuso de poder", indicando que em recrutamentos feitos depois de 25 de agosto, houve professores a serem colocados com horários de menos de 22 horas, mesmo menos graduados.

Manuela Almeida referiu que não se sabe exatamente quantos professores foram afetados pela decisão do concurso de 25 de agosto, mas que já pediu esses números nos contactos que foram tendo com a tutela, sempre sem resposta.

Na vigília, uma "medida extrema", pretendem chamar a atenção para o seu problema, depois de já terem apelado para governo, parlamento e partidos.

Embora sejamos uma minoria, somos uma minoria com vidas que não interessaram" ao governo, acusou.

Com uma bebé de meses ao colo, Tânia Covas, professora de Educação Física, queixa-se de ter sido colocada em Gouveia, a mais de 200 quilómetros de Braga, onde vive.

A um mês de acabar a licença de maternidade e regressar ao trabalho, antecipa que, para trabalhar, terá que deixar as duas filhas para trás ou levar a família consigo.

Os professores consideram que o governo insiste na "vigarice", uma vez que o anteprojeto para regular novo concurso não resolve o seu problema.

Tânia Covas referiu que já pediram repetidamente justiça, mas que sentem que ninguém está a dar atenção à sua situação.