A Proteção Civil está esta noite a reforçar os meios terrestres no combate aos dois fogos que lavram no concelho de Oleiros (Castelo Branco) com o objetivo de dominá-los durante a madrugada de sábado.

“Estamos a reforçar os meios terrestres para tentar que estes incêndios fiquem dominados pela manhã”, disse o oficial de operações e de emergências da Autoridade Nacional de Proteção Civil (ANPC), Carlos Pereira, advogando que “os grandes incêndios tentam-se dominar durante a noite”.

De acordo com o responsável da Proteção Civil, os dois incêndios florestais em Oleiros são os que merecem maior preocupação, contando com o maior número de meios no combate. Um deles deflagrou na quarta-feira, pelas 13:00, na localidade de Selada das Pedras, e outro começou na quinta-feira, cerca da 01:00, na localidade de Poeiros.

O Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, deslocou-se esta noite a Oleiros para se inteirar da situação.

Pela meia-noite, o fogo em Selada das Pedras estava a ser combatido por 642 operacionais, apoiados por 210 veículos, enquanto o incêndio em Poeiros mobilizava 428 operacionais e 136 viaturas, segundo a Proteção Civil.

O oficial de operações e de emergências da ANPC disse ainda que estes dois fogos lavram próximo de aldeias. O fogo na localidade de Selada das Pedras está a ameaçar as aldeias de Silvosa, Vinha e Paiágua e o incêndio na localidade de Poeiros está próximo das povoações de Cardosa e de Maxial do Campo.

Apesar da situação complicada junto a estas aldeias, o responsável da Proteção Civil afirmou que não há ainda registo de pessoas retiradas das habitações.

A Proteção Civil vê a noite de hoje como “uma janela de oportunidade” para que seja possível dominar estes dois incêndios de grandes dimensões.

“Tudo indica que se consiga, efetivamente, fazer um bom trabalho esta noite”, reforçou Carlos Pereira.

Além das chamas que lavram no concelho de Oleiros, destaque para outros dois incêndios, que lavram nos distritos da Guarda e de Vila Pouca de Aguiar.

O fogo no concelho de Figueira de Castelo Rodrigo (Guarda) está a ser combatido por 72 operacionais e por 21 veículos. Já em Vila Pouca de Aguiar (Vila Real), um incêndio que deflagrou nesta noite está a ser combatido por 113 operacionais, apoiados por 32 viaturas.

Incêndios e florestas são causas nacionais, diz Marcelo

O Presidente da República disse hoje que a problemática dos incêndios e as florestas são causas nacionais e que este é um momento de congregar esforços para combater os fogos e não para fazer análises políticas.

Em Oleiros, distrito de Castelo Branco, Marcelo Rebelo de Sousa inteirou-se dos fogos que lavram desde quarta-feira no concelho e disse aos jornalistas que o combate está a correr bem e que o “panorama é mais simples” do que nas noites anteriores.

Questionado sobre as responsabilidades políticas nos incêndios que têm atingido Portugal este verão, nomeadamente sobre a responsabilidade da ministra da Administração Interna, Constança Urbano de Sousa, Marcelo disse que chegou a hora de virar a página relativamente aos incêndios e que há um tempo em que a prioridade é o combate ao fogo e “não estar a analisar, debater, fazer balanços, comparar com outros anos ou outras situações”.

Estamos mais próximos do fim [da época dos incêndios], mas ainda estamos nesse momento de combate e temos de congregar esforços até ao final”, apelou.

Marcelo disse que o Presidente da República deve estar nos locais dos incêndios, “na medida possível”, de forma a poder “agradecer aos portugueses e instituições que estão a lutar por uma causa nacional”.

É uma causa nacional, mas tem de ser em todos os períodos do ano, como são as florestas e a criação de condições naturais para preparar o futuro”, alertou.

O Presidente da República, que ainda hoje vai estar também no posto de comando de Castelo Branco, disse esperar que este período dos incêndios acabe em “poucos dias” e elogiou a “coragem dos portugueses, que tem sido testada em vários pontos do país”.

Ladeado pelo secretário de Estado da Administração Interna, Jorge Gomes, e pelo presidente da Câmara de Oleiros, Fernando Jorge, Marcelo Rebelo de Sousa visitou o posto de comando localizado em Orvalho – localidade onde arderam oito casas – e disse estar mais descansado quanto ao desenrolar do combate a este incêndio específico.

Os dois incêndios que começaram na quarta-feira neste concelho já destruíram mais de 15.000 hectares de floresta, além de terem ferido seis bombeiros.

Às 00:30 de hoje, o combate aos dois incêndios estava a ser feito por 1.082 operacionais, apoiados por 361 viaturas.

As chamas já entraram também no concelho de Castelo Branco e é por esse motivo que Marcelo Rebelo de Sousa ainda se encontra hoje com o presidente daquele município, Luís Correia.