O Presidente da República arrancou esta segunda-feira com a iniciativa “Portugal Próximo” em Santa Marta de Penaguião, num palco instalado junto a vinhas e onde defendeu a criação de uma unidade de missão para o Douro.

Marcelo Rebelo de Sousa deu o início à segunda “edição” desta iniciativa na pequena aldeia de Concieiro, concelho de Santa Marta de Penaguião, onde visitou uma antiga escola primária transformada em habitação social.

Recebido por muitas crianças e pessoas mais velhas, o Presidente elogiou a paisagem “muito bonita” da Região Demarcada do Douro.

Num palco colocado junto às vinhas durienses, Marcelo Rebelo de Sousa disse ser um prazer para si começar naquele local esta volta que o vai levar aos distritos de Vila Real, Bragança e Guarda até à próxima quarta-feira.

E por estar em pleno Douro, o chefe de Estado defendeu a criação de uma unidade de missão específica para a mais antiga e regulamentada região demarcada do mundo.

Esta é uma ocasião única porque vem aí mais dinheiro de Bruxelas, no âmbito do Portugal 2020, e eu concordo que deve haver uma unidade de missão que olhe especificamente para os problemas do Douro”, afirmou.

O chefe de Estado ressalvou que, depois de 2020, não se sabe se se irá “ter o dinheiro que está para vir agora até 2020”.

Esta estrutura da administração pública teria como missão “saber utilizar bem os fundos que vêm de Bruxelas no Douro, para fazer aquilo que é preciso fazer” e decidir "o investimento que é mais prioritário”.

E vamos juntar esforços. A unidade de missão serve para isto, juntar esforços. Em Portugal somos capazes de um heroísmo e uma coragem e capacidade para resolver problemas mas, ao mesmo tempo, temos um defeito é que cada um puxa para seu lado de vez em quando”, frisou.

E nesta região “única, Marcelo defendeu ser preciso valorizar o que esta terra tem de melhor, como os vinhos, e defendeu também ser preciso olhar para os problemas da Casa do Douro, instituição que foi privatizada e para a qual o Governo vai criar uma comissão administrativa para a gestão do património e pagamento da dívida.

O diploma foi recentemente promulgado pelo Presidente da República, que afirmou esperar que “seja desta que se encontre uma maneira de administrar a Casa do Douro”.

A Casa do Douro tem vindo a conhecer tanta mudança ao longo dos anos que os produtores perguntam como vai ser o futuro, quem é que vai administrar a Casa do Douro. Depois eu disse, atenção ao património da Casa do Douro porque há lá vinho muito antigo e muito valioso”, salientou.

De Santa Marta de Penaguião, Marcelo seguiu para Vila Real, para visitar o Parque de Ciência e Tecnologia, onde se faz investigação sobre a vinha e os vinhos.

PR convidado para apadrinhar "route66" portuguesa

O Presidente da República foi convidado a apadrinhar o projeto turístico que quer ligar Portugal de lés-a-lés comparado à “route 66” americana.

Marcelo Rebelo de Sousa percorreu poucos dos mais de 700 quilómetros da estrada nacional 2, entre Chaves, no norte, e Faro, no sul de Portugal, e foi no concelho impulsionador do novo projeto, em Santa Marta de Penaguião, que recebeu o convite e iniciou hoje pela manhã o segundo “Portugal Próximo” por Trás-os-Montes e a Guarda, durante dois dias e meio.

Sob um sol tórrido, logo pela manhã, o Presidente foi recebido na antiga escola primária de Concieiro agora lar de três famílias que visitou e onde falou para os jovens e população que o aguardavam e recebeu o convite para apadrinhar a nova rota turística.

Santa Marta de Penaguião, nas encostas do Douro, “é terra que não se lamenta, como sublinhou o autarca local, Luís Machado, impulsionador de vários projetos, entre eles o de transformar a estrada nacional 2 num projeto turístico para unir Portugal de lés-a-lés.

O processo encontra-se em fase de formação da associação dos 32 municípios por onde passa a estrada e propõe-se criar um rota turística indicando os lugares e atrativos a visitar e desfrutar ao longo do trajeto.

Esta “é a oportunidade de unir o país”, defendeu o autarca.

Já o Presidente da República aplaudiu a iniciativa e vincou que é preciso haver mais turismo, que o turismo não estraga a terra, valoriza terra, seja o turismo gastronómico, religioso, cultural, ou do vinho.

As vias de comunicação, como a nacional 2 são consideradas fundamentais para o presidente que recordou que ainda recentemente apoiou jovens das Aldeias SOS, as quais vão dar a volta ao país e que começaram por aqui.

As primeiras palavras de Marcelo Rebelo de Sousa na segunda edição do programa presidencial “Portugal Próximo” foram para a juventude, sobretudo crianças do concelho duriense que o esperavam logo pela manhã, nesta aldeia com cerca de 100 habitantes.

O Presidente explicou que começou por aqui esta volta do "Portugal Próximo" a pensar neles, que são o futuro desta terra, mas também nos menos jovens.

É preciso criar condições sociais para prender as pessoas à terra”, sublinhou o chefe de Estado e considerou que “a antiga escola primária transformada em habitação social é um pequeno esforço”.

O Presidente da República ouviu “com muita alegria” os contributos da autarquia local, nomeadamente ao nível dos apoios sociais e das bolsas para estudantes.

Não pode haver hoje em Portugal filhos de ricos que podem fazer os seus estudos até onde quiserem e filhos de pobres que não podem”, insistiu.

Vitor Rodrigues, de 46 anos, estudou na sala da antiga escola primária de Santa Marta, que passou a ser a habitação da família de quatro pessoas há pouco mais de um mês.

Vitor e a família regressaram à aldeia muito devido a esta ajuda da Câmara e foi “com muito orgulho” que recebeu hoje em casa o Presidente da República.

“Isto não é para todos”, brincou a esposa Sara Mesquita, de 34 anos, contente com a nova casa que “é sossegada”. “Parece que estamos sempre de férias aqui. Estamos na casa de férias”.

De outra forma, dificilmente regressariam à aldeia, não fosse esta oportunidade de a antiga escola primária ser transformada em habitação social, acolhendo três famílias.

O Presidente Marcelo despediu-se com uma garantia: “Santa Marta já estava no meu coração, mas é diferente agora como Presidente estar convosco”.

O chefe de Estado quis mostrar indo a um concelho de difícil acesso, embora o autarca local tenha insistido em não lhe chamar interior porque “o Porto está ali mesmo ao lado”, que não é Presidente da República só de Lisboa, mas sim de todos os portugueses, sobretudo dos que vivem nos concelhos mais pequenos”.