O Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, condecorou esta terça-feira, a título póstumo, o empresário António Champalimaud com a Grã-Cruz da Ordem do Mérito, durante a cerimónia de entrega dos Prémios Champalimaud de Visão 2016.

No anfiteatro ao ar livre da Fundação Champalimaud, em Lisboa, Marcelo Rebelo de Sousa defendeu que esta "é uma homenagem justa" a António Champalimaud, "que a serena distância histórica converte em inadiável", considerando que "a democracia portuguesa nunca reconheceu devidamente a envergadura da sua decisão fundadora".

A força das democracias reside em não terem complexos nem temores sempre que se trata de fazer justiça. Neste caso, fazer justiça em nome de Portugal", acrescentou.

Segundo o chefe de Estado, a decisão de António Champalimaud deixar como herança a criação da Fundação Champalimaud foi "um passo de inequívoco relevo filantrópico nacional e internacional" e "um passo que mais nenhum outro português deu, neste tempo, na área fundacional com tão vasto alcance patrimonial e social".

A Grã-Cruz da Ordem do Mérito foi entregue pelo Presidente da República à filha do empresário, Maria Luísa Champalimaud.

A Ordem do Mérito destina-se a "galardoar atos ou serviços meritórios praticados no exercício de quaisquer funções, públicas ou privadas, que revelem abnegação em favor da coletividade".

O chefe de Estado descreveu António Champalimaud como "um homem que, como todas as personalidades fora do comum, suscitou admiração e acrimónias na sua vida empresarial, como nas suas posições cívicas", e ao qual "era indiferente esse entrechocar de opiniões e de sentimentos".

Quis o destino que coubesse a quem algumas vezes louvou e algumas outras divergiu e criticou, como cidadão, o empresário e o cidadão António Champalimaud o assumir a responsabilidade nacional de realçar e galardoar o benfeitor social António Champalimaud condecorando-o a título póstumo com a Grã-Cruz da Ordem do Mérito", afirmou Marcelo Rebelo de Sousa.

O Presidente da República elogiou também a presidente da Fundação Champalimaud, Leonor Beleza, sobre quem disse que tem tido uma "liderança inteligente, lúcida, culta, e por isso cosmopolita".

Prémio Champalimaud Visão distingue investigação sobre relação entre olhos e cérebro

O Prémio António Champalimaud Visão 2016 foi atribuído a quatro cientistas estrangeiros, pela investigação da relação entre cérebro e olhos, que pode abrir caminho para novos tratamentos, de base neurológica, contra problemas na visão, anunciou hoje a organização.

Os neurocientistas Christine Holt, Carol Mason, John Flanagan e Carla Shatz foram distinguidos com um milhão de euros, montante daquele que é considerado o maior prémio do mundo na área da visão.

Segundo uma nota de imprensa da Fundação Champalimaud, que promove o prémio, o trabalho dos quatro cientistas "tem trazido luz sobre a conexão entre os dois órgãos responsáveis pela visão - o olho e o cérebro" e tem "avançado significativamente a compreensão do sistema visual".

Nesta cerimónia de entrega dos Prémios Champalimaud de Visão estiveram presentes, entre outros, os antigos presidentes da República Aníbal Cavaco Silva e António Ramalho Eanes, os ministros do Ambiente, João Pedro Matos Fernandes, e do Mar, Ana Paula Vitorino, e o presidente do PSD, Pedro Passos Coelho.