O vice-presidente de Angola Manuel Vicente está indiciado por corrupção ativa na mesma operação que levou à detenção, na terça-feira, do procurador Orlando Figueira, disse à Lusa fonte ligada ao processo.

A mesma fonte indicou que o Ministério Público indiciou Manuel Vicente e o advogado português Paulo Blanco do crime de corrupção ativa em coautoria.

O procurador do Ministério Público Orlando Figueira - em licença sem vencimento desde 2012-, foi ouvido por uma juíza de instrução criminal, no campus de justiça de Lisboa, depois de ter sido detido, no âmbito da "Operação Fizz", por suspeitas de corrupção passiva, branqueamento de capitais e falsidade informática.

A audição de Orlando Figueira começou por volta das 22:00 e foi interrompido já perto da meia-noite, tendo o advogado do antigo procurador, Paulo Sá e Cunham, indicado que vai continuar esta quinta-feira de manhã.

Paulo Sá e Cunha, advogado de Orlando Figueira, disse hoje à agência Lusa que "a diligência foi interrompida" na noite de quarta-feira a pedido da defesa e será retomada às 10:30 de hoje, no Campus da Justiça, pela juíza Maria Antónia Andrade.

"Não houve interrogatório propriamente dito. Houve a leitura dos factos e depois pedimos a interrupção da diligência para podermos ter acesso a elementos do processo", explicou Paulo Sá e Cunha.

O causídico disse que o início do interrogatório de Orlando Figueira está marcado para as 10:30, mas que a defesa estará mais cedo no tribunal para consultar o processo do procurador

Orlando Figueira foi o procurador responsável pelos processos "BES Angola" e “Caso Banif", que arquivou, relacionados com capitais angolanos.

Paulo Blanco foi na quarta-feira constituído arguido e foi alvo de buscas no seu escritório de advocacia.

Em declarações à Lusa Paulo Blanco explicou que os elementos da PJ levaram cópias de declarações, sobre os vencimentos que o atual vice-presidente de Angola, Manuel Vicente, auferia entre 2007 e 2010, quando exercia atividades na Sonangol, BCP (ActivBank) e Banco Angolano de Investimentos (BAI), entre outras entidades, e que pertenciam a um processo que foi arquivado em 2012.