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Reclama 14 anos de salários por reforma compulsiva ilegal

Manuel Marinho era funcionário da Câmara de Viana do Castelo em 1998 quando foi afastado. Diz que foi um «julgamento político»

Por: tvi24 / CF    |   2012-07-06 20:26

compulsivamente pelo município em 1998, reclama uma indemnização de 125 mil euros e a reintegração na autarquia depois de a decisão ser declarada ilegal.

«É o meu bom nome, enquanto técnico e funcionário público, que está em causa há 14 anos e não abdico de reverter esse cenário. Até à última instância foi declarada a ilegalidade da decisão e só falta a sua execução, coisa que a Câmara de Viana do Castelo ainda não fez», explicou esta sexta-feira à agência Lusa o ex-funcionário daquela autarquia.

O caso remonta a 1998 quando, em Assembleia Municipal, foram levantadas suspeitas sobre alegadas irregularidades na construção do Estádio Municipal Manuela Machado, o que levou aquele órgão a constituir uma comissão de inquérito.
Enquanto chefe da Divisão de Vias e Transportes da Câmara, Manuel Marinho foi indicado para integrar essa comissão, na qual estavam representados todos os partidos.

Por estarem em causa questões técnicas, o funcionário da autarquia foi um dos três peritos a integrar esta comissão, que averiguou autos de medição e faturas, tendo concluído pela existência de obras que já tinham sido pagas «apesar de não terem sido executadas».

Eram conhecidas as relações próximas entre Marinho, então com 39 anos, e o PSD, quando a Câmara de Viana do Castelo entrava no segundo mandato de gestão socialista, liderada por Defensor Moura.

Manuel Marinho, que depois da saída forçada daquela autarquia assumiu até 2009 a vice-presidência e o pelouro das Obras da Câmara Municipal de Barcelos (PSD), garante que o caso representou um «julgamento político», ao ser acusado de ter adulterado documentação.

Esta fundamentação foi rebatida por sentenças de diferentes instâncias e a decisão definitiva do Tribunal Central Administrativo, datada de 2009, aponta a ilegalidade da decisão municipal, ordenando a reintegração de Manuel Marinho na Câmara de Viana do Castelo, assim como o pagamento de quantias devidas por danos materiais, ou seja os vencimentos de 14 anos.

Além disso, o tribunal também estabelece o pagamento de uma indemnização, por danos morais, fixada em 125 mil euros.
«Tive que solicitar ao tribunal a execução da sentença porque a Câmara ainda não cumpriu. Mas quem esperou 14 anos por justiça espera mais algum tempo até ver reposta a verdade», remata.

Contactada pela agência Lusa, a autarquia de Viana do Castelo, agora liderada por José Maria Costa (PS), que em 1998 era vereador no executivo de Defensor Moura, não quis comentar este caso.

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