O patriarca de Lisboa, Manuel Clemente, fez esta quarta-feira um balanço muito positivo do primeiro ano de pontificado do papa Francisco, cuja coerência e consistência destacou, considerando que cumpriu «todas as esperanças que a sua eleição abriu».

«É um balanço extremamente positivo, porque o papa Francisco tem cumprido todas as esperanças que a sua eleição abriu», afirmou Manuel Clemente, referindo que «tem com ele a proveniência da América Latina» que significa, também, «a da grande parte do catolicismo mundial» que «personaliza».

O presidente da Conferência Episcopal Portuguesa referiu que isso significa, igualmente, «aquele grande balanço missionário, expansivo, que o catolicismo sul-americano ganhou, em especial desde 2007, com a reunião de Aparecida e o Documento de Aparecida», no Brasil, por ocasião do V Congresso Episcopal da América Latina e das Caraíbas.

«Todos nós ficámos muito esperançosos de que algo semelhante aconteceria na Europa e ele imediatamente o começou a fazer», referiu Manuel Clemente, adiantando que no primeiro domingo após a eleição papal, completa na quinta-feira um ano, Francisco foi à igreja de Santa Ana, «a igreja paroquial da Santa Sé», e o contacto que teve com as pessoas na missa e, depois, na rua «marcou logo ao começo um estilo de pontificado que continua em Roma e na Europa e no mundo aquilo que ele fazia como arcebispo de Buenos Aires».

Notando que «imediatamente a adesão foi grande por parte de praticantes, não praticantes, crentes, não crentes», Manuel Clemente justificou: «Eu creio que o mundo de hoje precisa de personalidades autênticas que estão para os outros, que estão disponíveis, que realmente acolhem».

«As pessoas perceberam isso, não foi uma semana, não foi um mês, já lá vão 12 meses e este ano completo ainda promete muito mais», referiu.

Neste período, o patriarca afirmou que o mais impressionou foi a «coerência e consistência» de Francisco: «Ele está hoje como estava no dia em que aceitou o pontificado, isso mesmo, faz pontes».

Se tivesse oportunidade de estar com o papa, neste primeiro aniversário da eleição, Manuel Clemente dar-lhe-ia os «parabéns».

«Dizia-lhe "auguri" papa Francisco e continuamos consigo no mesmo caminho, porque é muito estimulante, muito evangélico, corresponde muito com o próprio Evangelho de Jesus Cristo àquilo que são os imensos problemas com que a humanidade hoje se confronta», disse o patriarca, convicto de que em 2017 o chefe de Estado do Vaticano visitará Portugal.

«Há de vir, com certeza, em 2017, para o centenário das Aparições de Fátima, como vieram já os papas anteriores, porque, hoje em dia, Fátima - a que aliás ele está ligado pela devoção a Nossa Senhora de Fátima - é uma realidade do cristianismo mundial e, concretamente, do catolicismo. Temos encontro marcado, com certeza», acrescentou Manuel Clemente.

O cardeal-arcebispo de Buenos Aires, Jorge Mario Bergoglio, foi eleito papa a 13 de março do ano passado pelos 115 cardeais reunidos em Roma, assumindo o nome de Francisco. Sucedeu a Bento XVI, que resignou.