Manuel Clemente, que toma posse como patriarca de Lisboa no sábado, defende a necessidade de se «criar um país onde caibam todos e ninguém fique de fora», sobretudo «em momentos destes em que a sociedade tem quase que se refazer».

O bispo Manuel Clemente, que sucede a José Policarpo à frente do patriarcado de Lisboa, argumentou já várias vezes que «ninguém se põe de fora» e que se deve fazer «um esforço conjunto».

No final da missa dominical de 19 de maio, logo após ter sido nomeado patriarca pelo papa Francisco, Manuel Clemente dirigiu-se aos políticos para pedir «solidariedade, pedagogia e muita clareza» com a sociedade sob pena de todos ficarem «tão atordoados que desistam de perceber».

«Era bom - e tenho falado com responsáveis políticos, do Governo e da oposição - que sejam ao mesmo tempo solidários e pedagógicos. Para que a nossa população, com essa capacidade de se reconstruir que mantém, seja correspondida com propostas claras e solidárias. Que as pessoas percebam que toda a gente está com toda a gente, que ninguém se põe de fora e que é um esforço conjunto», defendeu na ocasião.

Uma semana antes de ter sido nomeado patriarca, o jornal Expresso incluiu Manuel Clemente entre as 100 personalidades mais influentes em Portugal.

No final de uma missa dominical e já nomeado patriarca, Manuel Clemente garantiu que continuará a fazer alertas.

«Não deixarei obviamente de alertar. Em todas as realidades em que estou presente surgem muitas situações que são grandes alertas. Umas vezes faço-os publicamente, outras intervenções são mais diretamente com a pessoa que pode resolver o melhor o assunto», disse.

O atual presidente da Conferência Episcopal Portuguesa afirmou-se preocupado com o «desfasamento entre a capacidade de resistência das pessoas» a solidariedade e pedagogia nas «propostas que se fazem nacional e internacionalmente».

O prelado defendeu que «a solidariedade tem de ser uma atitude diária, de proximidade com as pessoas», um dos argumentos que partilha com o atual papa.

No tocante à vida da Igreja, Manuel Clemente afirmou que deve «apoiar a participação mais ativa do conjunto dos cristãos, até porque há setores que são especificamente dos leigos», bem como tudo o que vá no sentido da participação laical.

Manuel Clemente tomará posse no sábado às 11:00 na Sé Patriarcal, perante o Cabido da Sé, o conjunto de cónegos coadjuvantes do patriarca, e na presença do seu antecessor, numa cerimónia à qual são convidados os católicos a assistir.

Durante a cerimónia deverá ser lido pelo núncio apostólico em Lisboa, Rino Passigato, o mandato apostólico, que confere a autoridade ao patriarca, seguindo-se a assinatura da ata da posse, terminando com a oração da Liturgia das Horas.

Manuel Clemente, de 64 anos, regressa a uma diocese onde já exerceu as funções de bispo-auxiliar de 2000 a 2007.

No domingo, pelas 16:00 na igreja do Mosteiro dos Jerónimos é celebrada a entrada solene do patriarca na diocese, com uma missa cuja homília será feita por Manuel Clemente.

Manuel Clemente é o segundo bispo do Porto que é escolhido para patriarca de Lisboa. O primeiro foi Tomás de Almeida quando o patriarcado foi criado pelo papa Clemente XII em 1716.