O presidente da Conferência Episcopal Portuguesa (CEP), Manuel Clemente, disse hoje que a complementaridade «homem/mulher» é a base para o futuro da humanidade, conforme professado pelo cristianismo.

O cristianismo «vê na complementaridade homem/mulher a base imprescindível do que a humanidade há de ser, como alteridade em comunhão», disse hoje Manuel Clemente, no discurso de início dos trabalhos da assembleia plenária da CEP, em Fátima.

De acordo com o também patriarca de Lisboa, os tempos recentes «permitiram vivências mais individualistas e desvinculadas em relação àqueles padrões básicos da humanidade herdada, passando da "natureza" fixa para a "cultura" mais a gosto, a determinação exclusiva do que cada qual queira ser».

Neste ponto, frisou que a Igreja Católica mantém as suas convicções e não pode «deixar de contribuir para o debate cultural em curso, com a exposição clara e sucinta» das suas razões.

Manuel Clemente citou Bento XVI - «nada impomos, mas sempre propomos» - para concluir: «Tratando-se da verdade, enquanto adequação racional à realidade, cremos que ela fará o seu curso nas consciências e nas atitudes dos nossos concidadãos, quer nos costumes, quer na própria legislação, mais ou menos cedo, mas certamente».

Adiantou que a assembleia plenária da CEP, cujos trabalhos se prolongam até quinta-feira, vai dedicar «particular atenção» à discussão da visão cristã da sexualidade, a propósito da ideologia do género, e aos desafios éticos do trabalho humano.

Sobre a «grave problemática» do trabalho enquanto necessidade para o sustento e realização de cada um, o presidente da CEP disse que, atualmente, se vivem e sofrem «tempos difíceis».

«Teremos até a consciência de que se trata de um autêntico desafio civilizacional, rumo àquela sociedade que urge construir, com menos ganhos e dispêndios de alguns, em contraste com a imerecida penúria de muitos», sustentou Manuel Clemente.