O patriarca de Lisboa apelou para que a solidariedade prevaleça no país e que as faturas de todos não sejam apenas pagas pelos mais indefesos, defendendo que o Orçamento do Estado é fruto do endividamento do país.

«O que transparece é que o endividamento externo é de tal ordem que condiciona as medidas que têm de se tomar e, neste sentido, o único apelo que eu faço é para que a solidariedade prevaleça e se corte apenas aquilo que tiver estritamente de ser cortado», considerou o patriarca de Lisboa.

Manuel Clemente falou aos jornalistas antes de uma visita à instituição Ajuda de Berço, em Lisboa.

No entender do patriarca, as medidas anunciadas na proposta de lei do Orçamento do Estado para 2014 preocupam toda a gente, mas «preocupam em primeiro lugar àqueles que as têm de tomar, ou seja, ao Governo e à Assembleia da República».

Pediu, por isso, que haja «uma solidariedade reforçada em toda a sociedade» e que «não sejam sempre aqueles que estão mais indefesos que tenham de pagar faturas que são de todos».

«As nossas circunstâncias são tão difíceis e a nossa capacidade de manobra e de intervenção também é tão exígua que isso só pede de nós uma solidariedade muito reforçada e sobretudo um exemplo muito grande sobretudo da parte de quem ainda possa fazer alguma coisa para que aqueles que são mais sacrificados se sintam acompanhados por todos», sustentou Manuel Clemente.

Disse, por outro lado, faltarem-lhe dados para dizer com certeza se havia ou não alternativa a este OE, mas disse acreditar que «só um peso muito grande de circunstâncias externas, como a sobrevivência económica do país e a não perda daquilo que entretanto se conseguiu ganhar para o futuro» justificam as medidas agora anunciadas.

Por outro lado, disse presar «muito» o quadro constitucional em vigor, sublinhando não querer que ele «fique em causa», ao mesmo tempo que sublinhou que o Tribunal Constitucional terá em conta a jurisprudência nas «medidas que forem ou podem ser tomadas de acordo com as circunstâncias».