O Cardeal-Patriarca de Lisboa, Manuel Clemente, disse esta quinta-feira que é desaconselhável aceitar no sacerdócio pessoas que sejam homossexuais, por ser uma situação melindrosa.

Tem havido sucessivos documentos da parte da congregação para a clero no sentido de desaconselhar para não dizer proibir que um jovem que manifeste uma orientação homossexual ingresse no seminário porque isso será melindroso. É completamente desaconselhável”, disse.

Manuel Clemente falava hoje na conferência de imprensa de apresentação das conclusões da 193.ª Assembleia Plenária da Conferência Episcopal Portuguesa que decorreu em Fátima.

O sacerdócio, adiantou, implica o celibato quer no caso homossexual quer heterossexual.

Mas se a pessoa tiver uma orientação forte nesse sentido é melhor não criar a ocasião”, frisou.

Questionado se serão feitos testes psicológicos para a admissão no sacerdócio, Manuel Clemente explicou que há cada vez mais acompanhamento psicológico das vocações e que no documento orientador existente é defendido um tempo chamado de propedêutico de introdução na vida da igreja, de formação cristã.

As orientações para a admissão de sacerdotes foi um tema abordado na Assembleia Plenária da CEP tendo os bispos refletido sobre o documento orientador que tem como palavras-chave Humanidade, espiritualidade e discernimento e que tem como objetivo principal procurar que os Seminários formem discípulos missionários.

Segundo a CEP, a formação no seminário maior inclui quatro etapas: propedêutica, estudos filosóficos (ou do discipulado), estudos teológicos (ou da configuração), pastoral (ou síntese vocacional).

A reflexão sobre esta matéria, adianta a CEP nas conclusões, irá continuar tendo sido confiado à Comissão das Vocações e Ministérios, em coordenação com os formadores dos seminários, a elaboração da Ratio para Portugal, para posterior aprovação.

Na reunião plenária da CEP, que decorreu em Fátima entre segunda-feira em hoje, foi ainda eleito José Augusto Traquina Maria como presidente da Comissão Episcopal da Pastoral Social e Mobilidade Humana para o triénio 2017-2020, cargo que era desempenhado por António Francisco dos Santos, bispo do Porto, falecido em setembro.